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Title: O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (2/7) - Parte Segunda: O oraculo das Salas
Author: Serrano, Bento
Language: Portuguese
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*** Start of this Doctrine Publishing Corporation Digital Book "O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (2/7) - Parte Segunda: O oraculo das Salas" ***

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O ORACULO

DO

PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO

OU O

Verdadeiro modo de aprender no passado
a prevenir o presente, e a adivinhar o futuro

POR

BENTO SERRANO

ASTROLOGO DA SERRA DA ESTRELLA,

_Onde reside ha perto de trinta annos, sendo a sua habitação uma estreita
gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos_


OBRA DIVIDIDA EM SETE PARTES, CONTENDO CADA UMA O SEGUINTE:

    Parte primeira--O ORACULO DA NOITE
    Parte Segunda--O ORACULO DAS SALAS
    Parte Terceira--O ORACULO DOS SEGREDOS
    Parte Quarta--O ORACULO DAS FLORES
    Parte Quinta--O ORACULO DAS SINAS
    Parte Sexta--O ORACULO DA MAGICA
    Parte Setima--O ORACULO DOS ASTROS


PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883



PARTE SEGUNDA

O ORACULO DAS SALAS

OU

O modo seguro de adivinhar o futuro por meio da verdadeira interpretação
das sortes e adivinhas e muitos outros jogos honestos e recreativos


PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883



Porto: 1883--Imprensa Commercial--Lavadouros, 16.



ADVERTENCIA INDISPENSAVEL

ÁS DAMAS E CAVALHEIROS

O melhor meio de usar d'estas perguntas e respostas, é extrahir de todas
(ou d'aquellas collecções que se quizer) uma copia em bilhetes de papel
grosso, entregando os que contiver as perguntas aos cavalheiros, e os
das respostas ás senhoras, e depois de bem baralhados se irão lendo
_aquelles que a sorte conduzir á vista_, e as senhoras respondem no
mesmo gosto; porque nenhuma graça poderiam ter se se estivessem
escolhendo _como eu já tenho visto praticar_.

A divisão dos bilhetes deve ser feita na proporção dos homens e senhoras
que se queiram entregar a este divertimento, de sorte que não excedam os
perguntadores ás respondentes, nem estas áquelles.


1.ª COLLECÇÃO


        PERGUNTA 1.ª

    Poderei em vosso peito,
    O meu amor depositar?


        RESPOSTA 1.ª

    O vosso amor em meu peito,
    Já occupa distincto lugar.


        P. 2.ª

    Longe da minha vista,
    Podereis lenitivo encontrar?


        R. 2.ª

    Ausente da vossa companhia,
    Bem mal poderei respirar.


        P. 3.ª

    Com o vosso puro amor,
    Posso eternamente contar?


        R. 3.ª

    Eu vos amo por sympathia,
    Heide as leis d'amor respeitar.


        P. 4.ª

    Pode vosso candido peito,
    Meu sincero amor desprezar?


        R. 4.ª

    Jurei ser a mais constante,
    Protestei sempre amar.


        P. 5.ª

    Um amor puro e sincero,
    Podeis em mim acreditar?


        R. 5.ª

    Ser ingrata, é imprpprio
    De quem sabe adorar.


        P. 6.ª

    No intimo do vosso peito,
    Posso meu amor eternisar?


        R. 6.ª

    O conceito que de vós formei,
    Não é possivel expressar.


        P. 7.ª

    Alguma ideia de lealdade,
    Podeis de mim formar?


        R. 7.ª

    Certa da vossa fidelidade,
    Não vos posso mais deixar.


        P. 8.ª

    Despresareis os grilhões,
    Com que amor nos quer ligar?


        R. 8.ª

    Vossa ternura, m'inspira,
    Um amor mui singular.


        P. 9.ª

    Sabeis a quem amor puro,
    Sempre se deve consagrar?


        R. 9.ª

    Esse manancial de doçuras,
    Será para quem o estimar.


        P. 10.ª

    Posso em vosso coração,
    Extremoso amor firmar?


        R. 10.ª

    A violencia de meus males,
    Só vós podereis mitigar.


        P. 11.ª

    Não vos compadecereis,
    De me vêr desesperar?


        R. 11ª

    Adquiro um triumpho,
    Quando vos vejo penar.


        P. 12.ª

    Sereis sempre indifferente,
    A quem não cessa de vos idolatrar?


        R. 12.ª

    Estou vendo em vosso rosto,
    Vivos desejos d'enganar.


        P. 13.ª

    Ah! Senhora, dizei-me,
    Podeis minha dôr suavisar?


        R. 13.ª

    Não, jámais, só a morte
    Vos poderá alliviar.


        P. 14.ª

    Quereis ver continuamente,
    Minhas dores augmentar?


        R. 14.ª

    Se outra causa vossas dôres,
    Só a ella deveis culpar.


        P. 15.ª

    Podereis acaso um dia,
    Com ternura em mim pensar?


        R. 15.ª

    Se despréso o vosso amor,
    Para que haveis de teimar?


        P. 16.ª

    As chaves de Cupido de vosso
    Coração, posso alcançar?


        R. 16.ª

    Acabai vossas perguntas,
    Tanto já não posso aturar.


        P. 17.ª

    Consentireis que em vosso
    Peito, vá meu amor occultar?


        R. 17.ª

    Não queiraes em lagrimas,
    Meu coração sepultar.


        P. 18.ª

    Em que dia o constante
    Amor, vos hade dominar?


        R. 18.ª

    Quando em vosso coração,
    A perfida ingratidão cessar.


        P. 19.ª

    Não verei a ingratidão,
    Em vosso peito abrandar?


        R. 19.ª

    Sim, quando as angustias
    Vosso rosto desfigurar.


        P. 20.ª

    Não vos compadecereis,
    De me ver sempre suspirar?


        R. 20.ª

    Compassiva me vereis,
    Deixando vós d'adular.


        P. 21.ª

    Jurasteis á negra morte,
    Meu coração sacrificar?


        R. 21.ª

    A vossa falsa constancia,
    Protestei sempre imitar.


        P. 22.ª

    O possuidor de vosso coração,
    Não m'haveis d'indicar?


        R. 22.ª

    Jurei guardar segredo,
    Não quero juramento violar.


        P. 23.ª

    Conheceis em minha alma,
    O dom natural d'adorar?


        R. 23.ª

    A vossas perguntas não respondo,
    Escusaes de vos cançar.


        P. 24.ª

    Entreguei-vos meu coração,
    Que mais vos resta a desejar?


        R. 24.ª

    Vosso desejo é lograr-me,
    Tal não podereis realisar.


        P. 25.ª

    Terei eu assás forças, para
    Vosso coração captivar?


        R. 25.ª

    Vossas supplicas são inuteis,
    Nunca me poderão encantar.


        P. 26.ª

    Quando irei em vosso peito,
    Minha cabeça reclinar?


        R. 26.ª

    Quando as sombras da morte,
    Vosso rosto matizar.


        P. 27.ª

    Nunca a crueldade, hade
    Em vosso peito terminar?


        R. 27.ª

    Só quando vosso modo
    Enganador finalisar.


        P. 28.ª

    Se vos pedir uma entrevista,
    Sereis prompta em acceitar?


        R. 28.ª

    Não vos enfadeis, senhor,
    Pois não sei abjurar.


        P. 29.ª

    Prometteis o implacavel
    Odio, para sempre detestar?


        R. 29.ª

    Assim que vós perdereis
    O costume de ludibriar.


        P. 30.ª

    Dizem que sois eminente,
    N'arte de namorar?


        R. 30.ª

    Nada d'isso em mim vereis,
    O que me apraz é ver penar.


        P. 31.ª

    Meu amor e sinceridade,
    Não merece um terno olhar?


        R. 31.ª

    Queria responder-vos,
    Mas não me posso explicar.


        P. 32.ª

    Prometteis-me algum dia,
    Meus suspiros escutar?


        R. 32.ª

    Sim, no momento em que
    Por verdadeiro vos acreditar.


        P. 33.ª

    Longe da minha vista,
    Pode vosso coração socegar?


        R. 33.ª

    A inconstancia do vosso caracter,
    Eu vou fazer decantar.


        P. 34.ª

    Na mais triste solidão,
    Quereis minha alma despenhar?


        R. 34.ª

    Nas promessas do vosso amor,
    Eu já não posso confiar.


        P. 35.ª

    Os sofrimentos d'um amor
    Sincero, não haveis d'evitar?


        R. 35.ª

    A vossas penas darei fim,
    Quando com a morte m'abraçar.


        P. 36.ª

    Sabeis aonde uma paixão,
    Verdadeira nos pode arrastar?


        R. 36.ª

    Victima da ingratidão,
    Em nada posso combinar.


        P. 37.ª

    Esse genio indifferente,
    Não haveis de desterrar?


        R. 37.ª

    Se visse o coração dos homens,
    Poder-me-hia deliberar.


        P. 38.ª

    Se vos apparecer ás horas,
    Dar-me-heis do vosso jantar?


        R. 38.ª

    Não posso responder-vos,
    De meu Pai licença vou solicitar.


        P. 39.ª

    De vossos gentis encantos,
    Posso o gosto saborear?


        R. 39.ª

    Não direi que não, quando
    De vingança me saciar.


        P. 40.ª

    Desejareis sempre ver,
    Meus males continuar?


        R. 40.ª

    Deixai de ser ingrato,
    Vereis meu odio abrandar.


2.ª COLLECÇÃO


        PERGUNTA 1.ª

    Um verdadeiro amante,
    Merecerá vosso coração?


        RESPOSTA 1.ª

    Tenho deveres a cumprir,
    Fallai para o S. João.


        P. 2.ª

    Se vos pedir um beijo,
    Tereis n'isso satisfação?


        R. 2.ª

    Sim, senhor, se de joelhos
    Me pedireis perdão.


        P. 3.ª

    Se me vireis perecer,
    Tereis de mim compaixão?


        R. 3.ª

    Oh! sim, certamente,
    Morrerei d'afflicção.


        P. 4.ª

    Estarei condemnado,
    A soffrer vossa ingratidão?


        R. 4.ª

    Não digo que sim senhor,
    Nem é da minha approvação.


        P. 5.ª

    As algemas do vosso amor,
    Serão d'eterna duração?


        R. 5.ª

    Estou cançada de tanto,
    É muita satisfação.


        P. 6.ª

    De ser por vós amada,
    Posso ter presumpção?


        R. 6.ª

    Respostas d'esta sorte,
    Jámais a ninguem se dão.


        P. 7.ª

    De ser minha amada,
    Tereis gosto e devoção?


        R. 7.ª

    É verdade que vos amei,
    Porem mudei d'opinião.


        P. 8.ª

    Nos doces laços d'amor,
    Fareis commigo união?


        R. 8.ª

    Não posso dizer que sim,
    Eis a minha consternação.


        P. 9.ª

    Se vos fallar em amor,
    Gostareis da conversação?


        R. 9.ª

    Amo-vos com sinceridade,
    E adoro-vos por inclinação.


        P. 10.ª

    De minha fiel amante,
    Acceitareis a eleição?


        R. 10.ª

    Não estou resolvida,
    A prestar-vos attenção.


        P. 11.ª

    Para ser de vós amado,
    Deverei pôr tudo em acção?


        R. 11.ª

    Podeis fazel-o, senhor,
    Porem será indiscrição.


        P. 12.ª

    A minhas expressões d'amor,
    Dareis consideração?


        R. 12.ª

    Sou firme no que prometto,
    Já não mudo de resolução.


        P. 13.ª

    De todos os vossos amantes,
    Sentis por mim alguma affeição?


        R. 13.ª

    Não posso já responder,
    D'amor preciso lição.


        P. 14.ª

    Se vos escolher por amante,
    Fareis d'isso estimação?


        R. 14.ª

    Não tenho taes ideas,
    No entanto ainda virão.


        P. 15.ª

    D'amor gostareis,
    Longa e rigida prisão?


        R. 15.ª

    Oh! quereis-me no laço,
    Bem sei que sois erpertalhão.


        P. 16.ª

    Das leis de Cupido,
    Seguireis a Religião?


        R. 16.ª

    Sois bem importuno!...
    Já vos dei a decisão.


        P. 17.ª

    Um verdadeiro amante,
    Merece vossa protecção?


        R. 17.ª

    De verdadeiro nada tendes,
    Tudo é pura ficção.


        P. 18.ª

    Da vossa sinceridade,
    Posso ter a confirmação?


        R. 18.ª

    Na verdade, é muito exigir,
    Já tendes a minha confissão.


        P. 19.ª

    Se vos fallar de himeneu,
    Acceitareis a petição?


        R. 19.ª

    Fallareis outro dia,
    Hoje não é occasião.


        P. 20.ª

    Dos amantes que tendes,
    Eu terei a predilecção?


        R. 20.ª

    O vosso amor em meu peito,
    Tem segura habitação.


        P. 21.ª

    De meus puros sentimentos,
    Fareis especial menção?


        R. 21.ª

    Já é tempo de me deixar,
    Parece-me isto mangação!


        P. 22.ª

    Em corresponder-me,
    Heide achar obstinação?


        R. 22.ª

    Se quereis uma resposta,
    Tendes a dar um tostão.


        P. 23.ª

    Se vos offertar meu amor,
    Poreis alguma objecção?


        R. 23.ª

    Para dizer-vos o que sinto,
    Não tenho obrigação.


        P. 24.ª

    D'entre os que vos adoram,
    Escolhereis com rectidão?


        R. 24.ª

    Serei em tudo minuciosa,
    Ficai certo da remuneração.


        P. 25.ª

    Meus ternos sentimentos,
    Serão a vossa admiração?


        R. 25.ª

    Se quereis que vos responda,
    Rezai uma oração.


        P. 26.ª

    Hoje ouvi dizer que sois
    O symbolo da mansidão?


        R. 26.ª

    Essa pergunta não parece,
    De quem tem educação.


        P. 27.ª

    A indifferença commigo,
    Nasce da vossa disposição?


        R. 27.ª

    Meus puros sentimentos,
    Não soffrem diminuição.


        P. 28.ª

    Acreditaes que vos amo,
    Por intima convicção?


        R. 28.ª

    Desejava responder-vos,
    Fóra d'esta reunião.


        P. 29.ª

    Do amor que vos consagro,
    Fareis boa estimação?


        R. 29.ª

    Os vossos ternos affectos,
    Podem ter compensação.


        P. 30.ª

    Das culpas que tenho d'amor,
    Concedeis-me o perdão?


        R. 30.ª

    Estaes sempre perdoado,
    Ide com a Virgem Conceição.


3.ª COLLECÇÃO


        PERGUNTA 1.ª

    Reconheceis em mim,
    O mais sincero amor?


        RESPOSTA 1.ª

    Recebo vossa declaração,
    Como seguro penhor.


        P. 2.ª

    Acceitais minha confissão,
    De ser verdadeiro amador?


        R. 2.ª

    Não acceito essa confissão,
    De meus males sois auctor.


        P. 3.ª

    De vossas bellas qualidades,
    Conheceis-me admirador?


        R. 3.ª

    Os laços que a vós me ligam,
    Não precisam de fiador.


        P. 4.ª

    De vosso amavel peito,
    Sou o unico director?


        R. 4.ª

    O que sinto em meu peito.
    Não merece se não louvor.


        P. 5.ª

    Em amar-vos com pureza,
    Serei grande peccador?


        R. 5.ª

    Sois de meu coração,
    O maior usurpador.


        P. 6.ª

    Da vossa sinceridade,
    Acreditais-me defensor?


        R. 6.ª

    Vossas virtudes m'encantam,
    Amo-vos com fervor.


        P. 7.ª

    Serei de vossa alma,
    O unico possuidor?


        R. 7.ª

    Não andais na moda,
    Sois pouco tentador.


        P. 8.ª

    No intimo de vossa alma,
    Só eu sou imperador?


        R. 8.ª

    Não quero responder,
    Se o faço é por favor.


        P. 9.ª

    Gostais muito de namorar?
    Quem é o vosso encantador?


        R. 9.ª

    Quizera fallar verdade,
    Sois grande criticador.


        P. 10.ª

    Dizem que muito gostaes,
    De cavalheiro adulador?


        R. 10.ª

    Responder-vos é ocioso,
    Sei o que sinto no interior.


        P. 11.ª

    Poderei eu acreditar,
    Que não tenho competidor?


        R. 11.ª

    Não quero responder,
    A similhante lisongeador.


        P. 12.ª

    Em vossos grandes namoros,
    Haveis, soffrido dissabor?


        R. 12.ª

    Oh! Deos e eu o sabemos,
    Qual tem sido minha dôr.


        P. 13.ª

    Quem foi de vosso coração,
    O primeiro roubador?


        R. 13.ª

    Vós certamente que não,
    Sois um vil traidor.


        P. 14.ª

    Serei das leis de Cupido,
    O mais fiel observador?


        R. 14.ª

    Dizem todos, que sois
    O maior namorador...


        P. 15.ª

    Tantos namorados que tendes,
    Quem vos ama com mais vigor?


        R. 15.ª

    Vós certamente não,
    Sois um grande impostor.


        P. 16.ª

    Quem de vossas qualidades,
    É mais que eu respeitador?


        R. 16.ª

    Deixai-me importuno!
    Sois um enganador.


        P. 17.ª

    Que mal vos tenho feito,
    Para tanto desamor?


        R. 17.ª

    Do mais puro affecto,
    Sois o maior transgressor.


        P. 18.ª

    Das sagradas leis d'amor,
    Eu sou o mais apreciador?


        R. 18.ª

    Sim senhor, sem duvida,
    Tendes nota de corruptor.


        P. 19.ª

    Poderei de vosso coração,
    Ser um dia habitador?


        R. 19.ª

    Fallai-me a esse respeito,
    Quando eu rainha fôr.


        P. 20.ª

    Pode alguem amar-vos,
    Com mais pureza e calor?


        R. 20.ª

    Não posso hoje responder,
    Procurai o melhor Doutor.


        P. 21.ª

    Dos amorosos sentimentos,
    De vossa alma serei consolador?


        R. 21.ª

    Essa pergunta é louca,
    N'isto estaes atrazador?


        P. 22.ª

    Dos amores de vossa alma,
    Serei eu o edificador?


        R. 22.ª

    Era um bello serviço,
    Servindo-me de libertador.


        P. 23.ª

    Sereis d'entre as bellas,
    A mais mimosa flôr?


        R. 23.ª

    O que sinto não se diz,
    Não tenho o preciso valor.


        P. 24.ª

    Vossa constante firmeza,
    São effeitos do creador?


        R. 24.ª

    De meus puros sentimentos,
    Deveis estar conhecedor.


        P. 25.ª

    Concordaes que sou vosso,
    Mais pura estimador?


        R. 25.ª

    Sei que sois o maior,
    E mais vil contradictor.


        P. 26.ª

    De todos vossos namoros,
    Fui o primeiro descobridor?


        R. 26.ª

    De discreto nada tendes,
    Sois um indigno delator.


        P. 27.ª

    Devo ir em vosso peito,
    Minha fidelidade depôr?


        R. 27.ª

    Acceitar vossa declaração,
    É soffrer um dictador.


        P. 28.ª

    Posso esperar de vós,
    Um affecto conservador?


        R. 28.ª

    Desisti de taes ideias,
    Não quero mais amargôr.


        P. 29.ª

    Reconheceis em mim,
    Um sincero amador?


        R. 29.ª

    De meu peito estai certo,
    Sois n'elle o dominador.


        P. 30.ª

    Acreditaes que vos amo,
    Com indizivel primor?


        R. 30.ª

    Adeos, basta de tormentos,
    Sois um consumidor.


4.ª COLLECÇÃO


        PERGUNTA 1.ª

    Pode um fiel amante,
    Confiar na vossa amizade?


        RESPOSTA 1.ª

    Meus sentimentos são puros,
    Meu coração ama a verdade.


        P. 2.ª

    Se vos offertar meu peito,
    Recebel-o-eis com vontade?


        R. 2.ª

    Amar a todos em geral,
    É proprio da mocidade.


        P. 3.ª

    É certo que vosso coração,
    Só encerra verdade?


        R. 3.ª

    Goso d'essa opinião,
    N'alta sociedade.


        P. 4.ª

    De vos offertar meu coração,
    Concedeis-me a liberdade?


        R. 4.ª

    Acceito a bella offerta,
    E gosto d'essa habilidade.


        P. 5.ª

    S'eu morrer em vossos braços,
    Iremos para a Eternidade?


        R. 5.ª

    Iremos se Deus quizer,
    Mas não desejo a dignidade.


        P. 6.ª

    Para ser vosso amante,
    Terei capacidade?


        R. 6.ª

    Não costumo preterir,
    Sigo a antiguidade.


        P. 7.ª

    Se vos tributar meu amor,
    Dispensaes formalidade?


        R. 7.ª

    Ceremonias são d'igreja,
    E só proprio d'abbade.


        P. 8.ª

    Se vos offertar meu peito,
    Direis que já é tarde?


        R 8.ª

    Não vos canceis commigo,
    Isso é uma temeridade.


        P. 9.ª

    O amor que sinto por vós,
    Será tido por vaidade?


        R. 9.ª

    Não: Acredito-vos sincero,
    Não falto a tal qualidade.


        P. 10.ª

    Se vos disser que amo outra,
    Julgareis realidade?


        R. 10.ª

    Acreditarei sim, tudo,
    Como grande falsidade.


        P. 11.ª

    Se morrer longe de vós,
    Não tereis de mim saudade?


        R. 11.ª

    Talvez fosse dia de prazer,
    Sabendo tal novidade.


        P. 12.ª

    Dizem que em namoros,
    Tendes grande felicidade?


        R. 12.ª

    Para realisar esses desejos,
    Ha impossibilidade.


        P. 13.ª

    É verdade que escarneceis,
    Do meu amor com impiedade?


        R. 13.ª

    Não: Sou firme e constante,
    Sabeis minha sinceridade.


        P. 14.ª

    Tratareis vosso amante,
    Com rigor e severidade?


        R. 14.ª

    Gôsto meu é ser austéra,
    Mas tratarei com igualdade.


        P. 15.ª

    D'amor haveis soffrido,
    Grande enfermidade?


        R. 15.ª

    Tenho tido em demasia,
    Porque vivo na Cidade.


        P. 16.ª

    Será verdade que em namoro,
    Procedeis com leviandade?


        R. 16.ª

    Sei o que me cumpre fazer,
    Em objecto de gravidade.


        P. 17.ª

    É certo que tratais, vossos
    Amantes sem piedade?


        R. 17.ª

    A culpa não é minha,
    Que tenham mais sagacidade.


        P. 18.ª

    Duvidaes que vos amo,
    Com toda a assiduidade?


        R. 18.ª

    Não duvido do que dizeis,
    Conheço a vossa lealdade.


        P. 19.ª

    De vosso terno coração,
    Quem é propriedade?


        R. 19.ª

    Essa pergunta delicada,
    Precisa profundidade.


        P. 20.ª

    Toda a vida soffrerei,
    A vossa crueldade?


        R. 20.ª

    Vós assim o quereis,
    Não faço isso por maldade.


        P. 21.ª

    Para que me tratareis,
    Com tanta inimizade?


        R 21.ª

    Aborreço-vos de coração,
    Fallo com ingenuidade.


        P. 22.ª

    Desprezaes quem vos ama,
    Com tanta affabilidade?


        R. 22.ª

    Se quereis que vos estime,
    Tende mais agilidade.


        P. 23.ª

    Existirá sempre entre nós,
    Sympathia e fraternidade?


        R. 23.ª

    Em vossas mãos, entrego
    Minha fidelidade.


        P. 24.ª

    Vosso amor será confiado,
    Á minha generosidade?


        R. 24.ª

    Nunca: Só consentirei,
    Na ultima extremidade.


        P. 25.ª

    Concedeis-me affecto
    Com muita brevidade?


        R. 25.ª

    É de noite, não respondo,
    Gosto de tudo com claridade.


        P. 26.ª

    Nas lidas de Cupido
    Encontraes suavidade?


        R. 26.ª

    É um divertimento,
    Que dou por caridade.


        P. 27.ª

    Tantos namorados que tendes
    Algum é da minha idade?


        R. 27.ª

    Com toda a certeza não sei,
    Mas perguntarei ao Padre.


        P. 28.ª

    Os namoros verdadeiros,
    Produzem debilidade?


        R. 28.ª

    Não m'incommodeis,
    Com essa singularidade.


        P. 29.ª

    Males d'amor devo soffrer,
    Na ultima extremidade?


        R. 29.ª

    É vosso gosto predilecto,
    Soffrei com perpetuidade.


        P. 30.ª

    Apreciaes meu affecto,
    E minha fidelidade?


        R. 30.ª

    Amo-vos muito, muito;
    Mas gosto de tranquillidade.


5.ª COLLECÇÃO


        PERGUNTA 1.ª

    Entendeis, senhora,
    Nosso amor conveniente?


        RESPOSTA 1.ª

    Fujo de suas algemas,
    Quero viver innocente.


        P. 2.ª

    No amor que vos dedico,
    Acreditaes firmemente?


        R. 2.ª

    Creio em vossos extremos,
    Quero ser condescendente.


        P. 3.ª

    Se vos declarar meu amor,
    Ficareis muito contente?


        R. 3.ª

    Amo por divertimento,
    De lagrimas serei ausente.


        P. 4.ª

    Em vosso terno coração,
    Terei fiel correspondente?


        R. 4.ª

    Não respondo n'este objecto,
    A quem é tão sapiente.


        P. 5.ª

    Não vos compadecereis,
    De me ver sempre doente?


        R. 5.ª

    Não merece compaixão
    Quem s'ufana de valente.


        P. 6.ª

    Nos combates do vosso amor,
    Serei o maior padecente?


        R. 6.ª

    Se padecer é gosto vosso,
    A isso sou indifferente.


        P. 7.ª

    Sabeis que em namoros,
    Vos tornaes mui saliente?


        R. 7.ª

    Para fallar a meu respeito,
    Julgo-vos incompetente.


        P. 8.ª

    É certo que em namoros,
    Sois mui intelligente?


        R. 8.ª

    Não vos acredito--; só creio
    N'um Deus Omnipotente.


        P. 9.ª

    Do vosso amor, flcarei
    Na incerteza permanente?


        R. 9.ª

    Estou sujeita, senhor,
    E a meu Pai obediente.


        P. 10.ª

    Heide soffrer por vosso amor
    Sempre uma dôr pungente?


        R. 10.ª

    Vossa dôr não tem limite,
    Assim o diz o assistente.


        P. 11.ª

    Se vos fallar em amor,
    Sereis commigo indulgente?


        R. 11.ª

    É meu gosto ver penar,
    Sereis por isso penitente.


        P. 12.ª

    Se vos offertar meu amor,
    Serei julgado delinquente?


        R. 12.ª

    Não posso acceitar a offerta,
    Vosso amor é transparente.


        P. 13.ª

    Na lista de vossos amantes,
    Eu sou o mais prudente?


        R. 13.ª

    Dos amantes que possuo,
    Sois o mais impertinente.


        P. 14.ª

    De que sou por vós amado,
    Dareis prova evidente?


        R. 14.ª

    Pago amor, com amor,
    De ser fiel ficai sciente.


        P. 15.ª

    Sabeis que vos consagro
    Verdadeiro amor ingente?


        R. 15.ª

    No que dizeis não creio,
    Vosso amor é apparente.


        P. 16.ª

    Dos amantes que tendes,
    Eu sou o presidente?


        R. 16.ª

    Não posso responder hoje,
    Que estou de má mente.


        P. 17.ª

    Ao gozo do vosso amor,
    Sou o maior pretendente?


        R. 17.ª

    Eu com vossas lembranças,
    Não estou coherente.


        P. 18.ª

    É certo, que vosso amante
    É do lado do occidente?


        R. 18.ª

    Amo virtudes onde estão,
    E detesto o prepotente.


        P. 19.ª

    D'entre vossos-amantes,
    Sou escolhido previamente?


        R. 19.ª

    Não posso dizer que sim,
    Julgo-vos negligente.


        P. 20.ª

    Dos votos d'um terno amor,
    Acreditais-me profitente?


        R. 20.ª

    Creio em vossas expressões,
    Meu coração tem fé vivente.


        P. 21.ª

    Qual de vossos amantes,
    É o mais frequente?


        R. 21.ª

    Á pergunta não respondo,
    E vos reputo insolente.


        P. 22.ª

    Encontro em vosso peito,
    Um puro amor nascente?


        R. 22.ª

    Não vos canceis, senhor,
    Para vós sou inclemente.


        P. 23.ª

    Dos segredos de vossa alma,
    Quem é ditoso confidente?


        R. 23.ª

    É coisa que não digo,
    Nem mesmo a um parente.


        P. 24.ª

    Os extremos de vosso peito,
    São d'amor descendente?


        R. 24.ª

    Reparai em meus olhos,
    Resposta tereis presente.


        P. 25.ª

    O vosso terno amor,
    É ao meu equivalente?


        R. 25.ª

    Sinceramente vos amo,
    N'essa ideia ficai crente.


        P. 26.ª

    De todos vossos amantes,
    Sou o mais reverente?


        R. 26.ª

    Eu vos dedico puro amor,
    A minhas forças excedente.


        P. 27.ª

    Em vosso terno peito,
    É puro o amor existente?


        R. 27.ª

    Não vos calareis palrador?
    Sois um omnisciente.


        P. 28.ª

    É certo o vosso amante,
    Ser aspirante a tenente?


        R. 28.ª

    Não tem resposta a pergunta,
    Podeis marchar em frente.


        P. 29.ª

    Acceitaes a declaração
    De meu amor ardente?


        R. 29.ª

    Não posso responder-vos,
    Gozaes fama de mal querente.


        P. 30.ª

    Pode alguem amar-vos,
    Como eu tão vehemente?


        R. 30.ª

    Oh! fallador, deixai-me,
    Eu não posso ser accedente.



JOGOS

DE

Mãos com cartas mui curiosos, os quaes são de muito divertimento,
podendo qualquer pessoa aprendel-os com facilidade, porque são feitos
com o baralho de quarenta cartas.


_Modo de compor o baralho para fazer alguns jogos_

Compõe-se o baralho, dando ás cartas um valor diverso, isto é, o tres
terá o valor de 3, o seis tambem terá o valor de 6, a sóta de 9, o dous
de 12, o cinco de 15, o valéte de 18, o az de 21, o quatro de 24, o sete
de 27, e o rei de 30; darás tambem um certo valor aos naipes por
graduação, isto é, o primeiro gráo ás espadas, 2.º aos páos, 3.º aos
ouros, e 4.º ás copas; agora para se compor o baralho, estenderás todas
as cartas em cima da meza cara acima, e em 4 fileiras, por graduação, e
começarás pelo primeiro gráo, que são as espadas a levantar; supponhamos
levantas o tres d'espadas, e juntando-lhe 3 de memoria faz 6, levantarás
o 6 do segundo gráo que é páos, e o porás em cima do 3 bocca abaixo, e
dirás seis de páos, com tres de memoria faz nove, levantarás a sóta do
3.º gráo que é ouros, e com os 3 de memoria faz 12, levantarás o dous de
copas que é o ultimo gráo, e ao 2 junta 3 de memoria faz 15, levantarás
o 5 d'espadas com 3 faz 18, levantarás o valéte de páos, com os 3 faz
21, levantarás o az d'ouros, com os 3 faz 24, levantarás o 4 de copas,
com os 3 faz 27, levantarás o sete d'espadas, e com os 3 faz 30,
levantarás o rei de páos, e adverte que chegando aos reis, os quaes teem
o valor de 30, não se lhe juntam os 3 de memoria, e torna-se a começar
no tres do mesmo naipe d'aquelle rei, por isso levantarás o 3 de páos, e
com os 3 de memoria faz 6, levantarás o 6 d'ouros, e juntando-lhe os 3
de memoria faz 9, levantarás a sóta de copas, e proseguirás assim até
levantar todo o baralho, juntando sempre os 3 de memoria, excepto aos
reis; e porás as cartas sempre umas detraz das outras, e depois do
baralho assim composto (sem que o saibam) poderás fazer os jogos
seguintes.


_Jogo para adivinhar todas as cartas do baralho, estando repartidas
pelos circunstantes_

Tomarás o baralho composto, e o embaralharás mas de tal sorte que nunca
hasde metter cartas entre meio, mas sim tirar de baixo e pôr em cima,
depois mandarás partir, começarás a dar uma porção de cartas a cada
pessoa deixando ficar na mão a ultima carta de baixo, ou entregal-a, mas
observar, que carta é para por ella pedir todas as outras, começando por
onde acabaste de entregar; supponhamos que a ultima carta era um valéte
de páos, dirás dezoito (que é o valor do valéte) e 3 de memoria faz 21,
pedirás o az d'ouros; e proseguirás assim até concluir, guardando a
regra antecedente; e as cartas que fores pedindo as irás pondo na meza
bocca abaixo umas em cima das outras para ficarem sempre compostas para
fazeres os jogos seguintes.


_Jogo para adivinhar todas as cartas pelo tacto_

Depois de baralhar e partir o baralho como no jogo antecedente,
observarás a ultima carta, sem que o percebam, e com o baralho na mão
esquerda bocca abaixo, e fazendo que apalpas com os dedos, supponhamos
que a carta que observaste por baixo é um rei de páos, dirás: esta pelo
tacto conheço que é um rei de páos, o qual mostrarás, e posto em cima da
meza bocca abaixo puxarás outro e como aos reis não se junta nada,
dirás: esta é um 3 de páos o qual mostrarás, e porás em cima do rei, e
juntando ao 3 mais 3 de memoria que faz 6, dirás: este é o 6 de ouros, e
juntando-lhe os 3 faz 9, precisamente a que se segue será a sóta de
copas, e proseguindo assim até final verás como se acertam todas,
observando sempre a regra de juntar os 3 de memoria a cada carta,
excepto aos reis, e tambem seguir a graduação dos naipes.


_Jogo para adivinhar repentinamente uma carta que outro tenha escondido_

Com o baralho composto como acima, o estenderás a modo de um leque na
mão esquerda bocca abaixo, que se não vejam as suas pintas, e dirás a um
dos circunstantes, que tire uma carta qual quizer, e que a esconda logo,
partirás o baralho em dois montes pelo sitio onde o sugeito tirou a
carta e observarás a carta que está por cima do monte de baixo (com
dissimulo que o não percebam), v. g. era um sete d'espadas, ao qual
juntarás os 3 de memoria e faz 30, por isso dirás que a carta escondida
é o rei de páos, o qual porás no sitio donde foi tirado, e o monte por
onde partiste por cima para ficar sempre o baralho composto.


_Jogo para adivinhar e mostrar as cartas que te pedirem_

Depois de baralhar e partir pelo modo que acima fica dito, observarás a
carta de baixo e começarás por ella a fazer quatro carreiras de cartas
bocca abaixo, contendo 10 cartas cada uma, de modo que fiquem todas em
linha recta, tanto do alto como ao través; Supponhamos que a carta que
viste por baixo era um quatro de páos, logo as outras 3 que lhe estão em
linha no cimo das fileiras, são os outros 3 quatros, v. g. supponhamos
que te pedem o rei de copas, contarás sobre a carta da primeira fileira
dizendo 4 de páos com 3 de memoria faz sete, e com mais 3 faz 30; logo
entenderás que nas terceiras cartas de cada fileira estão os reis e para
saberes o seu naipe dirás a primeira páos, a segunda ouros, e a terceira
copas, que é exactamente o dito rei de copas; e se te houvessem pedido o
rei de páos, bastaria seguir a graduação pelos 4 reis, pois sendo o rei
de copas da primeira fileira, o da 2.ª deve ser o de espadas, o da 3.ª
de páos, e o da 4.ª ouros, e adverte que depois de haveres mostrado as
cartas que te pedirem as irás pondo no mesmo sitio, e depois que todos
hajam pedido, levantarás as cartas ao través, isto é, primeiro os quatro
quatros, que são as primeiras cartas de cada fileira e assim até final,
de modo que não vejam que vão juntos d'este modo, para fazeres o jogo
seguinte.


_Jogo para fazer sahir os reis, as sótas, os valétes, e todas as mais
cartas todas juntas_

Depois de baralhar e partir como te tenho ensinado, observarás a ultima
carta de baixo, supponhamos que é um valéte, logo dirás aos
circunstantes, vou agora fazer sahir os 4 valétes juntos, e adverte que
n'estas 4 primeiras cartas póde succeder não sahirem certas, e faltar
alguma, mas succedendo isto, dirás que te fugiram é as tirarás por cima,
que lá estarão, e tirados os 4 valétes lhe juntarás ao seu valor de 18,
os 3 de memoria que faz 21, por isso dirás agora vou a tirar os 4 azes,
depois junta a 21 os 3 de memoria faz 24, dirás agora vou tirar os
quatros, e por esta forma tirarás todas as outras, e com este jogo
ficará o baralho desarranjado.


_Jogo para dividir os quatro valétes pelo baralho e fazer com que
appareçam juntos_

Mostrarás os quatro valétes por baixo, mas de modo que antes do ultimo
de baixo tenhas mettido 3 cartas de tal modo justas ao valéte que se não
percebam, puxando os outros 3 algum tanto fóra para que vejam que estão
todos no fundo do baralho, depois com o baralho bocca abaixo, puxarás
pelo primeiro valéte e o porás por cima, e depois irás tirando as 3
cartas e as porás pelo meio do baralho uma em cada sitio, e julgando os
circunstantes que tens mettido os valétes, mandarás a um que parta, e
depois puxarás as cartas e verás como sahem juntos.


_Jogo para adivinhar as cartas que um sugeito tem na mão_

Mandarás a um sugeito, que tome do baralho as cartas que quizer, e que
lhe junte outras tantas, depois dá-lhe tu por tua mão mais um certo
numero d'ellas, mandarás depois que tire metade de todas as que tiver, e
tambem as que primeiro tomou do baralho; feito isto, saberás que lhe
ficaram na mão só metade das que lhe tu deste por tua mão, para o que é
preciso que lhe dês sempre numero par.


_Jogo para adivinhar quem tomou na tua ausencia dois objectos que
tiveres deixado em cima da meza_

Darás a um sugeito 3 cartas, e a outro 9, depois porás em cima da meza 2
cartas, ou 2 objectos; supponhamos que pozeste um rei e um az; e sendo
preciso dar aos 2 objectos valores differentes, darás ao rei o valor
superior, e ao az inferior, e retirando-te para que cada um dos sugeitos
a quem deste as cartas tome a sua carta, lhe dirás depois que o sugeito
que tomou o rei, multiplique o numero de cartas que lhe deste por 2, e o
que tomou o az por 12, e que sommem as multiplicações, cuja somma
diminuam de 156, e que digam depois o que ficou, cuja quantia partirás
por 11 (sem que o percebam) e se te vierem 9 ao quociente saberás que o
sugeito a quem deste as 9 cartas tem o objecto de maior valor que é o
rei, e se te vier 3 ao quociente, o sugeito a quem deste as 3 cartas
terá o dito rei, ou o objecto de maior valor, e por conseguinte o outro
o de menos valor que é o az, se fizeres o jogo com objectos darás sempre
o valor superior a um, e inferior ao outro, e em lugar de cartas usarás
grãos, ou outra cousa similhante.


_Jogo para adivinhar os tentos de tres cartas_

N'este jogo contam-se os tentos das cartas pelas suas pintas, excepto as
figuras que terão o valor de 10 tentos cada uma, assim como no jogo do
chincalhão; agora a pessoa que quizer adivinhar os tentos de 3 cartas
mandarás que na sua ausencia façam 3 montes de cartas, contando sobre os
tentos da primeira até 15, v. g. a primeira carta é um rei, ponha-se na
meza bocca abaixo, e conte-se por 10, e ponha-se outra em cima e diga-se
11, e logo outra 12 (sem as ver) e irás pondo cartas até chegar á conta
de 15, cujo monte ficará concluido com 6 cartas, depois faça-se outro, e
supponhamos que a carta a seguir é um sete, darás principio ao 2.º monte
com ella contando-a por sete, e logo porás em cima dizendo 8, e assim
até concluir a conta de 15, depois proceda-se ao terceiro monte, e
supponhamos que a sua carta primeira é um az, dirás 1, e á que lhe
pozeres em cima 2, até chegar a 15; e feitos os montes, dirás á pessoa
ausente que te adivinhe os tentos que conteem as 3 primeiras cartas dos
montes, este te perguntará quantas cartas sobejaram, v. g. sobejaram 10
cartas, ao que só lhe basta juntar a este numero 8 de memoria, (sem que
ninguem o saiba), ao que dirás que as 3 cartas contém 18 tentos, porque
o rei vale 10, com o sete 17, e com o az que vale 1, são os 18.


_Jogo para fazer sahir dous azes juntos; tendo-se mettido um em cada
sitio_

Tomem-se os 2 azes pretos, ou os vermelhos, metta-se um no meio do
baralho, mas que fique mais de meio para baixo, e o outro tambem no meio
mas mais do meio para cima, e sem que o percebam observarás a carta que
fica proxima por baixo d'este segundo az, a qual pódes mesmo mostrar aos
circunstantes dizendo-lhe que a vejam e que não pensem que é algum outro
az; depois mandarás partir ou partirás tu mesmo, mas de modo, que a
partição seja feita entre os dous azes ficando o de cima por baixo e o
debaixo por cima com a partição; feito isto puxarás as cartas uma a uma,
reparando quando sahe, a carta que ficou proxima ao az, e quando ella
sahir com a ponta do dedo afastarás o dito az para a palma da mão não o
tirando até que appareça o outro, e apparecendo se tiram juntos.


_Jogo para adivinhar uma carta com os olhos vendados_

Para fazeres este. jogo é preciso ter observado a carta de baixo, sem
que o percebam, depois dirás aos circunstantes, que com os olhos
vendados com um lenço vais baralhar as cartas, e advinhar uma que lhes
mostrarás; feito isto, pegarás no baralho, e baralhando sem mover a
carta de baixo, a mostrarás junta com o baralho, depois tornarás a
baralhar naturalmente, e mandarás partir em quanto tiras o lenço dos
olhos, e depois passarás as cartas até dar com a dita carta que antes
tinhas visto e a mostrarás.


_Jogo para adivinhar as cartas pelo tacto com o baralho posto ao alto em
cima da cabeça_

Para fazeres este jogo é preciso haver terceira pessoa, a quem tenhas
dado conta do segredo, a qual te avisará tocando-te no pé, ou dando-te o
signal pelos dedos etc., v. gr. mandam-te adivinhar as figuras, posto o
baralho na cabeça de modo que todos vejam as suas pintas, irás tirando
cartas, e quando se descobrir alguma figura, a pessoa que tens prevenida
te dará o signal, e tu então apalpando com os dedos dirás: este é uma
figura porque a conheço pelo tacto e este agora não é etc., tambem se
póde fazer este jogo com o baralho em cima da meza bocca acima e com os
olhos vendados, fazendo que as conheces pelo cheiro e se se descobrir o
segredo de haver quem te dê as senhas, ou te pedirem que adivinhes as
cartas pelas pintas e pelos naipes, então fazendo que apostas irás
disfarçado compor o baralho pelo modo que te ensinei no primeiro jogo, e
depois sabendo a primeira carta saberás todas as outras augmentando-lhe
os 3 de memoria e observando a graduação dos naipes.


_Jogo para fazer com que um navio carregado com 15 cavallos brancos, e
15 pretos por sorte sejam os pretos todos lançados ao mar_

Tomarás 30 cartas, e porás 15 de cara abaixo, representando os cavallos
pretos e as outras 15 de cara acima representando os cavallos brancos,
formarás com ellas um circulo a modo de um navio do modo seguinte--4
brancos, 5 pretos, 2 brancos, 1 preto, 3 brancos, 1 preto, 1 branco, 2
pretos, 2 brancos, 3 pretos, 1 branco, 2 pretos, 2 brancos, e 1 preto;
isto é 4. 5. 2. 1. 3. 1. 1. 2. 2. 3. 1. 2. 2. 1; agora sendo preciso
deitar metade da carga ao mar por causa de um temporal que pôz o navio
em perigo, os dois donos dos cavallos disputavam quaes haviam de ir sem
que nenhum d'elles consentisse, porém o capitão vendo o perigo e a
necessidade disse que fossem por sorte, e que contassem, até 9, e onde
cahisse o numero 9, fossem todos ao mar, e sendo acceite a proposta
começaram com as sortes e começando a contar pelo primeiro dos 4
brancos, e depois do numero 9 por diante até concluir a conta de 15, se
verificou irem os pretos todos ao mar.


_Jogo para adivinhar as cartas que um tem na mão direita_

Mandarás a um sugeito, que tome cartas iguaes em cada mão, que tire
depois um certo numero d'ellas da esquerda para a direita, e que dobre
as da esquerda com as da direita; feito isto, saberás que tem na mão
direita o dobro das que lhe mandaste tirar da esquerda.
Exemplo--supponhamos que o sugeito tomou 6 cartas em cada mão, e que lhe
mandaste tirar da esquerda para a direita 2 cartas, e que lhe mandaste
dobrar as da esquerda com as da direita, o resto será o dobro das que
lhe mandaste tirar da esquerda para a direita, que são 4.


_Jogo para adivinhar, em que mão ha par ou impar de cartas_

Mandarás a um sugeito tomar em cada mão as cartas que quizer, isto é, em
uma mão par, e em outra impar, mandarás que multiplique as da direita
por 3, e as da esquerda por 2, que somme depois as duas multiplicações,
e que te diga o seu importe, o qual sendo par tal estará na mão direita,
e se fôr pernão tal estará na mão direita, e o par na esquerda. Exemplo
supponhamos que o sugeito em nossa ausencia tomou 5 cartas na mão
direita? e 2 na esquerda, e multiplicando as da mão direita por 3--faz
15, e as da esquerda por 2, faz 4--a somma das duas multiplicações é 19,
e por ser numero impar direi que o sugeito tem impar na mão direita e
par na esquerda.


_Jogo para adivinhar uma carta que outro tenha no sentido_

Tomarás 21 cartas e as porás em cima da meza em 3 fileiras cara acima, e
mandarás a um sugeito que deite o sentido á carta que quizer, e que
tenha conta em qual das fileiras está e que te diga, logo apanharás as
cartas de cada fileira: pondo as da fileira que elle te marcou no meio,
e fazendo isto, outra vez começando sempre a fazer as fileiras todas
juntas de cima para baixo, perguntarás outra vez em qual fileira está, a
qual porás sempre no meio, apanhando as fileiras uma por cada vez d'alto
abaixo, e a terceira vez deitarás as cartas de cara abaixo, e lhe dirás
que te diga em qual fileira está, e como t'o não saiba dizer, lhe
mostrarás a undecima carta, ou a 4.ª carta da fileira do meio; tambem
poderás fazer este jogo escolhendo um numero impar do qual se possam
tirar 3 partes cabaes, assim como 9, 15, 21, 27, etc., e fazendo as
operações das 3 fileiras, isto é, 3 fileiras, e 3 repartições d'ellas,
incluindo sempre a fileira em que se acha a carta no meio das outras 2,
o que executado irás pondo as cartas á 3.ª vez de cara abaixo até que
contes a que faz o meio d'ellas todas, que em 9, é a quinta carta, em 15
será a 8.ª em 21 a 11, e em 27, a 14, e em as mais a sua correspondente,
a qual mostrarás.


_Jogo para adivinhar uma carta que se tenha tirado do baralho_

Mandarás tirar uma carta do baralho, e no sitio onde a tirarem
observarás a carta que lhe fica proxima por cima, e mandarás que depois
de a verem, que a ponham no mesmo sitio, depois puxarás as cartas por
cima esperando que saiha a que tu viste, e a que se lhe seguir será a
que elles viram.


_Jogo para adivinhar uma carta que tenham tirado do baralho_

Tomarás o baralho, e o baralharás e com ligeireza, verás a carta debaixo
qual é, depois baralharás outra vez sem mover a dita carta de baixo, e
porás todo o baralho estendido em fórma de um leque na mão, cara abaixo;
dirás a um dos assistentes que tire uma qual quizer, e depois de a ver
que a ponha em cima de todo o baralho, e lhe dirás que parta, e porás o
monte debaixo em cima do outro, lho dirás ainda que parta as vezes que
quizer, depois passarás todas as cartas, e a carta que estiver era cima
da 1.ª que havias visto antes, será a que elles viram.


_Jogo de riso para adivinhar uma carta que outro tenha pensado_

Darás o baralho a um dos circunstantes, e lhe dirás que o baralhe bem, e
que o ponha em cima da meza em dois montes, e que ponha o sentido em uma
carta, e que te diga que carta é, e havendo-te dito, lhe dirás que a
tire d'aquelle monte, (mostrando-lhe por exemplo o que tiver mais
cartas,) e encontrando-a no dito monte ficarão maravilhados, pensando
que o tens adivinhado, e se não encontram, lhe dirás muito sério--pois
então estará no outro monte, o que os fará rir, por tal habilidade.


_Jogo de entretimento e de pôr 9 cartas em 3 fileiras, e fazer que por
todos os lados façam o numero de 15_

Tomarás todos os ouros, isto é, desde o az até o 9, e se não tiveres
cartas que tenham os oitos e noves, cortarás 9 quadrados pequenos de
papel, e lhe escreverás em cada um seu algarismo de 1 até 9, e os porás
do modo seguinte--

    1     2     3
    4     5     6
    7     8     9

e dirás aos circunstantes, que para se entreterem, quer vêr se haverá
algum que se atreva a por este quadro magico de modo que ao alto, ao
través, e ao encruzado, ao mesmo tempo contenha o numero de 15, e depois
que já estejam cansados, e o não saibam fazer, o farás do modo seguinte--

    2     7     6
    9     5     1
    4     3     8

e depois que todos tenham examinado o desmancharás outra vez para que o
façam, e se houver alguem que o faça, mostrando-se esperto, tirarás o
numero 1, e porás outro que contenha o numero 10 em seu lugar, e lhe
dirás que faça o dito quadro magico, contendo para todos os lados, ou
direcções a somma de 18, e se não houver quem o faça, o que succede se o
não souberem em antes, o farás d'este modo--

    5     10     3
    4      6     8
    9      2     7

e ainda lhe farás outro se quizeres, tirando o numero dois pondo em seu
lugar o numero 11, dizendo-lhe que o façam de modo que para, todos os
lados e direcções, somme o numero de 21, e se o não souberem fazer o
farás d'este modo--

     6     11     4
     5      7     9
    10      3     8

e ainda lhe farás outro para os divertir mais, tirando o numero 3, e
pondo em seu lugar o numero 12, dizendo-lhe que façam o dito quadro
magico de modo que para todos os lados e direcções sommem o numero de
24, e se o não souberem fazer, o farás de modo seguinte--

     7     12       5
     6      8      10
    11      4       9


_Jogo para adivinhar 3 cartas (ou 3 objectos), e entre 3 sugeitos, qual
tomou cada uma_

Porás em cima da meza 3 cartas, ou 3 objectos, supponhamos um rei, um
valéte e uma sóta; darás o valor superior ao rei, inferior ao valéte, o
infimo á sóta; repartirás depois 6 cartas entre 3 sugeitos; isto é, 3 a
um, 2 a outro, e 1 a outro; porás mais 18 cartas em cima da meza
retirando as outras, sem que faças caso d'ellas para este jogo, e
retirando-te para dar lugar a que cada um dos sujeitos a quem deste as 6
cartas, tome a sua carta ou objecto, lhe mandarás ao que tiver o rei, ou
objecto de maior valor, que tome tantas cartas como as que lhe tiveres
dado; isto é, que se tiver uma, que tome outra, se tiver duas que tome
mais 2, e se tiver tres mais 3; ao que tiver o valéte ou objecto de
valor inferior que tome duas vezes tantas cartas como tiver; isto é, que
se tiver uma tome 2, se tiver duas tome 4, e se tiver trez tome 6, o que
tiver a sóta ou objecto de infimo valor tome 4 vezes tantas cartas como
tiver; isto é, que tendo uma tome 4, se tiver 2 tome 8, e se tiver 3
tome 12; depois te approximarás, e só te resta contar as cartas que
sobejar das 18 que la deixaste; advertindo que para cada numero de
cartas que sobejar haverá uma dicção; isto é, sobejando uma carta lhe
pertence a primeira dicção--_Aderi_--se sobejarem 2, lhe pertence
a 2.ª dicção--_Redari_--se sobejarem 3, lhe pertence a 3.ª
dicção--_Camiré_--se sobejarem 4.ª dicção--_Nada_--porque nunca podem
sobejar 4 cartas; se sobejarem 5 a dicção--_Ermina_--se sobejarem 6 a
dicção--_Filaré_--e se sobejarem 7 a dicção--_Gibélla_--; cujas dicções
servem para declarar quem tomou os objectos, o que se sabe pela posição
das letras vogaes de cada dicção, advertindo que a letra vogal--_a_--tem
o valor de um, indicando o sujeito a quem déste uma carta, a letra
vogal--_e_--o valor de 2 indicando o sugeito a quem deste 2 cartas, e a
letra vogal--_i_--o valor de 3 indicando o sujeito a quem deste as 3
cartas. Exemplo: supponhamos que sobejaram 2 cartas das 18--, observarás
a dicção que lhe corresponde, que é a 3.ª dicção--_Camiré_--e como a
vogal--_a_--está em primeiro lugar, pedirás ao sujeito a quem déste uma
carta o rei, ou o objecto de maior valor, e como a vogal--_i_--está em
segundo lugar, pedirás ao sugeito a quem deste as 3 cartas o valéte ou o
objecto de inferior valor; e finalmente como a vogal--_e_--está em
terceiro lugar, pedirás ao sugeito a quem deste 2 cartas, a sóta ou o
objecto de infimo valor, e por este modo farás ou praticarás em todas as
mais cartas que sobejarem, observando a dicção que lhe corresponde, e a
posição das letras vogaes de cada dicção, e o seu valor.


_Jogo para adivinhar entre dous sugeitos, quantas cartas tomou cada um
de 12, que deixaste em cima da meza_

Porás em cima da meza 12 cartas, e ausentando-te para que dois sugeitos
as tomem; depois mandarás a um d'elles, que multiplique as suas por 2 e
ao outro por 12; depois que sommem as duas multiplicações, cuja somma
diminuam de 156, e que te digam o que ficou, cuja quantia repartirás por
11, e o que te vier ao quociente será o numero de cartas que tomou o
sugeito a quem mandaste multiplicar por 2, e o resto da partição
indicará o numero de cartas que tomou o sugeito a quem mandaste
multiplicar por 12. Exemplo: supponhamos mandaste multiplicar a João por
2, e que este tinha 4 cartas, cuja multiplicação fez 8, e que mandaste a
José multiplicar por 12, e tendo este 8 cartas e multiplicando-as por 12
fez 96, agora mandaste sommar duas multiplicações fez 104 cuja quantia
mandaste diminuir de 156, cujo resto te dirão que é--52,--agorar
partindo tu estes--25--por 11, (sem que o percebam) te sahirão 4 no
quociente, e 8 no resto, por isso dirás que João (a quem mandaste
multiplicar por 2) tem 4 cartas das 12, e José as outras que são 8;
adverte-se que se vierem 2 ao quociente sem sobejar nada se hade
entender que o sugeito a quem mandaste multiplicar por 2, terá uma só
carta e o outra 11.


_Jogo para adivinhar em todo o baralho a carta em que um sugeito pozer o
dedo_

Estenderás o baralho pela latitude da meza, e dirás a um sugeito, que
ponha o dedo na carta que quizer, e que deite sentido a quantas cartas
está contando da primeira d'onde começaste a estender o baralho, depois
te aproximarás, e lhe mandarás dobrar esse numero que contou de cartas
até á que poz o dedo, e que junte mais 5 e depois que multiplique tudo
por 5, e que te diga o seu importe, o qual diminuirás de 25 e tantas
dezenas como ficarem, tantas são as cartas até a que se poz o dedo.
Exemplo: supponhamos que poz o dedo em a 13 carta, mandarás que dobre
esse numero e fará 26, que lhe junte 5, fará 31, que multiplique por 5 e
fará 155, dos quaes tirarás--25--(sem que o percebam, pois feitas as 3
operações, lhe pedirás o seu importe) cujo resto são 130, em cuja
quantia ha 13 dezenas, e logo levantarás a carta aonde cahir o numero
13, contando da primeira d'onde começaste a estender o baralho.


_Jogo para adivinhar todas as cartas que quizeres_

Depois de teres observado a carta que está por baixo tomarás o baralho e
o baralharás sem mover a carta que está por baixo, depois farás tantos
montes, quantas pessoas houver, tendo conta no monte em que está a carta
que tiveres visto, supponhamos fosse um sete de copas, dirás a um dos
assistentes, de qual monte quer que tire o sete de copas? e do monte que
te mandar tirarás uma carta, e observando qual é, supponhamos fosse o 2
de espadas, logo dirás a outro, de qual monte quer que tire o 2
d'espadas? e do monte que te mandar o levarás e tirarás todas as outras
que te mandarem umas pelas outras, e depois não havendo mais quem queira
dirás: eu tambem quero tirar uma, e tirarás então o dito sete de copas
do dito monte em que reparaste que ficou; depois dirás ao primeiro de
qual monte terá mandado tirar o sete da copas, e logo porás o dito sete
de copas descoberto em cima do monte que te disserem, depois farás as
mesmas perguntas com os outros pondo-lhe a carta descoberta em cima dos
montes que te apontarem.


_Jogo de adivinhar 3 cartas antes de as tirar do baralho_

Depois de observar a carta de baixo, baralharás bem, mas sem movel-a
dando depois o baralho á um dos circunstantes, lhe dirás que te dê por
cima a carta que tiveres visto por baixo; que te dé do meio a que elle
te deu por cima; e que te dê por baixo a que te tiver dado do meio, e
adverte que pela carta que lhe fôres pedindo lhe podes pedir todas as
mais que quizeres, deixando a debaixo que tenhas visto para o resto de
todas.


_Jogo para fazer desapparecer uma carta do baralho e adivinhal-a_

Mandarás gue partam o baralho, e pegando tu no monte de cima, dirás que
vejam a carta que está por cima do monte de baixo, e que a ponham no
mesmo sitio, e dando tu uma volta pela casa molharás um pouco as costas
da mão direita com saliva da bocca ou cousa semilhante, e com o outro
monte na dita mão porás as costas da mão em cima da dita carta
carregando para que se pegue, e perguntando aos circunstantes se será
aquella que tens á vista na palma da mão e dizendo-te que não,
levantarás a mão de sorte que se não veja a que trazes pegada nas
costas, e deixando depois o monte de cima em cima do de baixo lhe dirás
que a procurem, e tendo já visto a carta que trouxeste pegada lhe dirás
que carta é, e vendo que a não encontram a juntarás ao baralho sem que o
percebam e fazendo que a procuras lh'a mostrarás.


_Jogo para adivinhar a carta que um tenha tocado com o dedo_

Para fazeres este jogo, é preciso haver terceira pessoa a quem tenhas
dado conta do segredo, para te dar as senhas precisas: depois estenderás
todo o baralho em cima da meza bocca acima em 4 fileiras, dando á
primeira o nome de dias, á segunda de semanas, á terceira de mezes, e á
quarta d'annos; e estando tu ausente, a pessoa prevenida observará a
carta que tocaram e em que fileira está; depois te aproximarás á meza,
v. g. tenham tocado a setima carta da primeira fileira, a senha que te
hade dar a pessoa prevenida é a seguinte: senhores, é impossivel
adivinhar ainda que esteja sete dias continuos; depois bastará contares
as cartas da primeira fileira começando d'alto a baixo até a setima, a
qual levantarás e mostrarás: adverte que as senhas podem ser mais
dissimuladas para que o não percebam, fazendo que apostas, etc. etc.


_Jogo enigmatico_

Tomarás os reis, os valétes, as sótas e os azes do baralho, e porás os 4
reis em uma fileira ao lado uns dos outros e um pouco divididos; depois
porás um valéte em cima de cada rei, de modo que estes se vejam; depois
porás as sótas pelo mesmo modo que pozeste os valétes; depois os azes
pelo mesmo modo: mandarás depois aos circunstantes que vejam como estão
em cada fileira um rei, um valéte, uma sóta e um az, e que depois de os
baralhar bem farás que appareçam os 4 reis divididos, os valétes, as
sótas e os azes cada um em sua fileira; logo levantarás uma fileira,
isto é, um rei, um valéte, uma sóta e um az, e as mais da mesma fórma,
depois baralharás bem pondo as cartas de baixo em cima, sem que mettas
nenhuma por entre meio, e mandarás partir, depois pegando n'ellas as
puxarás cobertas, e por baixo e as irás pondo pelo mesmo modo que
pozeste da primeira vez em 4 fileiras e umas ao lado das outras; depois
as descobrirás, e verão como estão os 4 reis em uma fileira e os valétes
e mostra as sótas em outra e os azes em outra.


_Jogo de pôr 3 valétes e uma sóta divididos pelo baralho e fazel-os
apparecer juntos_

Tomarás 3 valétes e uma sóta, e os porás em cima da meza; dirás depois
aos circunstantes: estes 3 sugeitos teem-se aqui divertido na taberna, e
feito tão grande despeza que se vêem obrigados a fugir sem pagarem á
vendeira, pois não teem um real de seu; para cujo effeito assentaram que
mandar a vendeira, (que é a sóta) buscar mais vinho e fugir entretanto,
e virando tu a sóta para baixo tomarás os valétes, e os farás
desapparecer pondo um no cimo, outro no fundo, e outro no meio do
baralho; mas adverte que antes de tudo é preciso que tenhas posto (sem
que o percebam) o 4.º valéte no fundo, depois tomarás a sóta e a farás
correr atraz dos caloteiros pondo-a por cima do baralho, e mandando
partir, puxarás as cartas até encontrares os 3 valétes e a sóta.


_Jogo para fazer um relogio, e adivinhar as horas a que um sugeito
costuma jantar, cear ou dormir_

Tomarás 12 cartas d'um naipe, com as duas falsas o oito, e o nove, e
darás o valor á sóta de 10, ao valéte de 11, e ao rei de 12, depois
formarás um circulo a modo d'um mostrador de relogio, começando do az
até o rei, e todas de cara a baixo; mas deves ter sentido aonde fica a
1.ª que é o az; depois sabendo tu as horas em que qualquer sugeito
costuma jantar, cear, ou dormir, farás o jogo por um de 2 modos; o
primeiro é mandar contar desde a uma inclusivè ao revés, isto é, da uma
que passe ás 12, depois ás 11 etc., e sobre a hora que elegerem em
segredo até 14; e pelo segundo, mandarás contar sobre a hora que levar
em o seu pensamento, até um certo numero; isto é, que para a uma hora
mandarás contar sobre ella inclusivè até 14; para as 2, sobre as 2 até
15; para as 3, sobre as 3 até 16 etc. Exemplo: Quando quizeres que te
caia a hora, por saberes que a esta hora costuma um sugeito jantar,
mandarás que conte da uma hora ao revés sobre a hora que leva no seu
pensamento até 14, e tendo o dito sugeito elegido a uma hora contará na
carta que tu lhe propozeste (que é a uma) e dirá n'ella 2, nas 12 dirá
3, nas 11 dirá 4 e contando assim até 14, essa levantará e verá que é á
uma hora; se fôr as 2, contará da uma até 14, sobre as 2 que leva no
pensamento; isto é começando a contar na 1 hora com 3, até 14, ao revés;
e assim por diante contando sempre até 14, e começando sempre na uma
hora a contar sobre as que levar no pensamento. Exemplo do segundo modo:
Sendo a hora elegida á uma, mandarás contar sobre ella até 14, sendo ás
2 mandarás contar das mesmas 2 até 15; sendo ás 3 mandarás contar das 3
até 16; ás 4 que conte dellas até 17, e assim por diante, mas advirta-se
que sempre se começa a contar, sobre as que se levam no pensamento.
Supponhamos que para as 4, mandarás começar no dito 4 na qual dirá 5 no
3, 6, no 2, 7, no az 8, nas 12--9, nas 11--10--assim até 17, cuja carta
dos 17 levantará, e verão que é o 4, significando as 4 horas.

Outros muitos jogos aqui podia ensinar, o que deixo de fazer por serem
muito difficeis e custosos de fazer.



O SUSPIRO

      Vai, terno Suspiro meu,
    Ligeiro fendendo o ar,
    Nos labios da minha amada
    Saudosamente expirar.

      Mas primeiro, o meu suspiro,
    Brando gira ante o meu seio,
    E podes alguns momentos
    Alli pousar sem receio.

      N'esse logar delicioso
    Espreita a mais leve acção:
    Indaga attento por quem
    Suspira o seu coração.

      Se um só ai do peito amante
    Lhe escapar e me pertença,
    Então, então não expires,
    Vem trazer-m'o sem detença.

      Mas se aleivosa comigo
    A outrem seu ai mandar,
    Então nos labios da ingrata
    Tu deves logo expirar.

      Nada mais lenho a dizer-te,
    Corre, vôa onde te ordeno,
    Brandos zefiros te guiem,
    Conserve-se o ar sereno.


ENIGMAS

    Principio do mundo sou
    O meu ser é um, e é trino
    Não sou deus, nem o imagino
    E em todas as partes estou.

    No mundo faço a principal figura
    Entre os homens me vês, e não me sentes
    Se dizes sou ar, agua ou fogo mentes;
    Mas em todas as partes me procura.

    Sou o primeiro, a morrer sem ser gerado,
    Estou com o demonio no inferno
    E no meio do tempo sem ser passado.
         (_E. A letra--M._)

    Sou femea e sou triste
    Mui secreta e repousada,
    De corpo e alma privada,
    E só trage negro me assiste
    Sendo de muitos estimada.
        (_A noite._)

    Em as mãos das damas
    Quasi sempre estou mettido
    Umas vezes estirado
    E outras vezes encolhido.
        (_O Leque._)

    Quem será um velho ligeiro
    Que tem quatro movimentos,
    E doze repartimentos,
    Que a qualquer passageiro,
    Dá mais penas que contentos?
        (_O Anno._)

    Ha um filho de um velho
    Que tem mais onze irmãos
    Sem cabeças, pés, nem mãos,
    Que nos causa a differença
    De estarmos doentes ou sãos.
        (_O Mez._)

    Dou o sangue ás veias
    E tambem por meus amores
    Me transformo em mil flores,
    Misturadas com as assucenas
    E rozas de todas as côres.
        (_A Primavera._)

    Todos dizem que sou navio,
    Chamando-me tardo, e ligeiro,
    Que ao pobre, e cavalleiro
    Roubo como grande corsario,
    Sendo um velho passageiro.
        (_O tempo._)

    Quem é um grande senhor,
    Que foi nascido da terra,
    E tem armas de paz, e guerra,
    E que a uns dá grande valor
    E a outros sua ausencia interra?
        (_O dinheiro._)

    O meu principio foi de ervas
    Depois me pintaram de côres
    E costumo a dar dissabores,
    E mortes tenho causado acerbas.
    E a pobreza a muitos senhores.
        (_As cartas de jogar._)

    Qual é a cousa que Deus nunca viu
    Nem terá de vêr?--Resposta--Outro igual a elle.

    Qual é a cousa que em tudo poisa?
    Resposta--É o nome.


FIM DA SEGUNDA PARTE





*** End of this Doctrine Publishing Corporation Digital Book "O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (2/7) - Parte Segunda: O oraculo das Salas" ***

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