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Title: O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (4/7) - Parte Quarta: O oraculo das Flores
Author: Serrano, Bento
Language: Portuguese
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Copyright Status: Not copyrighted in the United States. If you live elsewhere check the laws of your country before downloading this ebook. See comments about copyright issues at end of book.

*** Start of this Doctrine Publishing Corporation Digital Book "O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (4/7) - Parte Quarta: O oraculo das Flores" ***

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O ORACULO

DO

PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO

OU O

Verdadeiro modo de aprender no passado
a prevenir o presente, e a adivinhar o futuro

POR

BENTO SERRANO

ASTROLOGO DA SERRA DA ESTRELLA,

_Onde reside ha perto de trinta annos, sendo a sua habitação uma estreita
gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos_


OBRA DIVIDIDA EM SETE PARTES, CONTENDO CADA UMA O SEGUINTE:

    Parte primeira--O ORACULO DA NOITE
    Parte Segunda--O ORACULO DAS SALAS
    Parte Terceira--O ORACULO DOS SEGREDOS
    Parte Quarta--O ORACULO DAS FLORES
    Parte Quinta--O ORACULO DAS SINAS
    Parte Sexta--O ORACULO DA MAGICA
    Parte Setima--O ORACULO DOS ASTROS


PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883



PARTE QUARTA

O ORACULO DAS FLORES

OU

O verdadeiro modo de adivinhar o futuro, pela innocente significação e
definição da verdadeira linguagem das flôres, plantas e arvores, em
forma de diccionario, ao alcance de todas as pessoas.


PORTO
LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA
55, Largo dos Loyos, 56
1883


Porto: 1883--Imprensa Commercial--Lavadouros, 16.



O ORACULO DAS FLORES


PLANTAS E ARVORES

Abeto, Elevação.

Aboboreira, Esperanças vans.

Abrolhos, Trabalhos.

Abrotea, A minha dôr vos seguirá á sepultura.

Absinthio, Separação, ausencia, amargura.

Acacia amarella, Nobreza.

Acacia branca, Amor platonico.

Acantho, Nós indissoluveis.

Açafrão, não abuseis.

Acer, Reserva.

Achilleia, Guerra.

Aconito, Vingança.

Açucena, Pureza.

Adonis, Dolorosas recordações.

Agapanio, Orgulho.

Agarico, Venço todas as difficuldades.

Agnoscato, Frieza viver sem amar.

Agrimonia, Reconhecimento.

Aipo, Pranto.

Alamo, Gemidos.

Alamo-negro, Coragem, valor.

Alecrim, amo-vos.

    Triste imagem da minha alma,
    Pobre ramo de alecrim,
    Para dar-te a uma ingrata,
    Vou roubar-te ao teu jardim.

Alecrim d'Hamburgo, Modestia.

Alecrim do Norte, Franqueza.

Alecrim sêcco, Saudade.

Alface, Esmorecimento.

Alfazema, Desconfiança.

Alfazema murcha, Vaidade.

Alfeneiro d'Allemanha, Defeza.

Alfinete branco, Quero e não posso.

Alfinete côr de rosa, Tende valor.

Alho, Fogo de amor.

Almeirão, Impaciencia.

Aloé, Afflicção, pesar.

Amaranto, Immortalidade.

Amarylis, Inconstancia.

Ameixieira, Cumpri vossas promessas.

Ameixieira brava, Independencia.

Amendoeira, Travessura.

Amoreira branca, Jactancia.

Amoreira preta, Eu não vos sobrevirei.

Amor de hortelão, Aspereza.

Amor perfeito, Existo para ti só.

Amor perfeito amarello, Esquecimento.

Amor perfeito rôxo, Lembrança expressiva.

Ananaz, Quanto sois perfeito.

Anemone, Esquivança.

    Com dôr a terra bebe reunidas
    Ondas de sangue, lagrimas sentidas,
    Da terra, sem tardar, brota uma rosa,
    Louca anemone ao pé s'ergue formosa.

Anemone dos prados, Doença.

Angelica, Extasis.

Angelica amarella, Indifferença.

Angelica branca, Pureza.

Angelica dobrada, Sem amor não ha ventura.

Antirrhino, Presumpção.

Aquilegia, Extravagancia.

Argentina, Altivez.

Arruda, Castidade.

Artemisia dobrada, Paixão violenta.

Artemisia singela, Espanto.

Arvore, Vida humana.

Azinheiro, Tristeza.

Assembleas, Igualdade.

Aveleira, Reconciliação.

Avenca, Discrição.

Azares, um abraço.

Azedas, Gloria.

Azereiro, Prazer tardio.

Azevinho, Providencia.

Balsamina, Acaso.

Balsamo, Misericordia.

Balsamo da Judêa, Restabelecimento.

Banana, Molleza.

Bardana, Importunidade.

Batata, Beneficencia.

Baunilha, Amor violento. Eu vos amo.

Beijos brancos, Attractivos.

Beijos escarlates, Não desesperes.

Beijos rajados, Bem te entendo.

Beijos roxos, Se quizesseis?

Bem-me-quer, Desconfiança, pesar, afflicção.

Bem-me-quer junto com cypreste, Desesperação.

Boas noites encarnadas, Timidez.

Boas noites amarellas, Acanhamento.

Bonina, Tristeza e timidez.

Bons dias, Infidelidade.

Borragem, Galanteio.

Botão de cravo branco, Espero resposta.

Botão de cravo encarnado, Attractivo.

Botão de cravo rosa, União.

Botão de cravo rôxo, Amor infeliz.

Botão d'ouro, Amor constante e satisfeito.

    Botão lindo assetinado,
    Que sorri com a innocencia,
    Contém succo empeçonhado
    Com que fere a imprudencia.

Botão de prata, Calumnia.

Botão de rosa amarella, Desdem.

Botão de rosa branca, Coração que não conhece o amor.

Botão de rosa cravo, Ciume.

Botão de rosa com folhas, Virgindade.

Botão de rosa encarnada, Reciprocidade.

Botão de rosa de Jericó, Não posso.

Botão de rosa de musgo, Esperança receosa.

Bulgosa, Mentira, illusão.

Buxo, Innocencia.

Catos, Triste vida.

    Quando em ti ponho os meus olhos,
    E te contemplo admirada,
    Sempre teu fado lastimo,
    Mimosa flôr engraçada.

Camara do Brazil, Rigor.

Camelias, Amor sempre constante.

    Eu de ti tenho ciumes,
    Linda camelia engraçada;
    Pois ornas o branco seio,
    D'Elisa a minha amada.

Campainha, Indiscrição.

Campainha azul, Declaração.

Cannas, Inconstancia.

Capraria, Razão.

Cardo, Tormento.

Cardo penteador, Misanthropia.

Carpea, Enfeite.

Carvalho, Fortaleza.

Casca de Romã, Modestia.

Castanheiro, Fazei-me justiça.

Castanheiro da India, Luxo.

Cedro, Grandeza, excellencia.

Cenouras, É tudo falso.

Centaurea, Felicidade.

Cerejeira, Boa educação.

Chagas, Crueldade.

Chagas amarellas, Não vão lá.

Chagas encarnadas, Discrição.

Chicoria, Frugalidade.

Chorão, Melancolia.

    Sim, de todos os males da vida
    É a ausencia o mais doloroso.
    Eis porque o chorão desditoso
    É a arvore valida.

Choupo, Tempo.

Cidreira, Magua.

Cipro, Caridade.

Circea, Bruxaria.

Clandestina, Amor occulto.

Clematitis, Artificio.

Coentro, Posso ir?

Cogumelo, Suspeita.

Colutea, Entretenimento frivolo.

Cominhos, Pragas, maldições.

Congossa, Dôces recordações.

Consolida-real, Leviandade.

Convolvus-nocturno, Noite.

Corôa imperial, Altivez excessiva.

Corôa de rosas, Recompensa da virtude

Corôa de Venus, Triumpho d'amor.

Coronilha, Duração.

Couve, Proveito.

Cravina branca rajada, Veio tarde.

Cravina encarnada, Só a ti quero.

Cravo, Estimação.

    Teu aroma, cravo amavel,
    Nossos sentidos domina,
    Tu esparges na campina
    Um perfume inigualavel.

Cravo almirante, Fogo d'amor.

Cravo amarello, Desprezo.

Cravo branco, Inclinação.

Cravo branco rajado, Suspirar.

Cravo côr de rosa rajado, Alento.

Cravo de defunto, Morte.

Cravo da India, Portador seguro.

Cravo encarnado, Muito correspondido.

Cravo rosa, Fidelidade, Amor constante.

Cravo rosa rajado, Volte logo.

Cravo rôxo, Sentimento.

Cuscuta, Baixeza.

Cypreste, Luto, afflicção.

Dahlia, Amo-vos mais que a propria vida.

Datura (herva-moura), Attractivos fallazes.

Dictamo de Creta, Nascença.

Dormideira, Incerteza, desconfiança.

Ebano, Negridão.

Endro, Ingratidão.

Ephemerina de Virginia, Felicidade momentanea.

Ervilhas, Appareça.

Ervilha de cheiro, Prazer delicado.

Ervilha azul, Expressão d'amor.

Escovilha, delicadeza.

Espelho de Venus, Lisonja.

Espigas de trigo, Fartura.

Espinha, Dôr.

Espinheiro, Difficuldades.

Espinheiro alvar, Prudencia e sinceridade.

Espinhos, Riquezas.

Espirradeira, Serei ditoso.

Esponja, Desassocego.

Esporas, Velocidade.

Esporas brancas, Apresse-se.

Esporas azues, Timidez.

Esporas côr de rosa, Sympathia.

Espora singela azul, Consentimento.

Espora singela branca, Muito gosto.

Evonymo, Existis em meu coração.

Faia, Prosperidade.

Favas, Demandas.

Fecoide glacial, O vosso fogo me faz gelar.

Fel da terra, Fiel.

Fêno, Gloria do mundo.

Feto (fêmea), Sinceridade.

Feto aquatico, Frenezim.

Figos, Doçura.

Figos verdes, Inutilidade.

Figueira brava, Temperança.

Flôr do cacto especiosissimo, O vosso amor não é constante.

Flôr de laranjeira, Castidade.

Flôr de batateira, Preferencia.

Flôr de limoeiro, Victima do ciume.

Flôr de liz, Poder.

Flôr de macieira, Approvação.

Flôr de maracujá, Voluptuosidade.

Flôr de pecegueiro, Prazeres amorosos.

Flôr de romeira, Generosidade.

Flôr de sabugo, Irritação.

Flôres de tomates, Não quero.

Flôres, Esperanças.

Flôres do campo, Divertimento.

Flôres murchas, Ingratidão.

Folhas, Palavras.

Folhas de cypreste, Separação forçada.

Folhas de figueira, Penitencia.

Folhas de laranjeira, Raiva.

Folhas de limoeiro, Mexericos.

Folhas de louro, Premiar.

Folhas seccas, Melancolia.

Folhas de tomates, Não quero.

Folhas de vinha, Esperanças perdidas.

Frachinelha, Fogo amoroso.

Freixo, Grandeza.

Funcho, Soffrimento.

Gazão, Utilidade.

Geranio almiscar, Estima.

Geranio limão, Capricho.

Geranio rosa, Languidez.

Geranio-triste, Espirito melancolico.

Giesta (femea), Esperança enganadora.

Giesta odorifera, Esperança quasi extincta.

Gira-sol, Intriga.

Glacial, Indiferença.

Goivos amarellos, Preferencia.

Goivos brancos, Simplicidade.

Goivos encarnados, Desdem.

Goivos roxos, Solidão.

Golfão branco, Eloquencia.

Grãos, Conserva-te.

Grãos de mostarda, Fé.

Grinalda de flôres, Cadeia de amor.

Hepatica, Confiança.

Hera, ambição.

Herva cidreira, Chocarrice.

Herva dôce, Mudança.

Herva moleirinha, Fel, odio, rancor.

Herva ruiva, Calumnia.

Herva de Santa Maria, Horror.

Hyssopo, Limpeza.

Hortelã, Amor exaltado, consolação.

Hortensia, Frieza.

Hortigas, Crueldade.

Iberia da Persia, Indifferença.

Iris, Mensagem.

Jacintho, Dôr, pesar, sentimento.

Jasmim, Paixão, perigo.

Jasmim amarello, Vergonha.

Jasmim do cabo, Pretenção.

Jasmim encarnado, Serei vosso até morrer.

Jasmim d'Italia, Zêlos.

Jasmim miudo, Paixão.

Jasmim da Virginia, Separação.

Jarro, Ardor.

Joio, Vicio.

Junco, Docilidade.

Junquilho, Desejo.

Junquilho dobrado, Namoro.

Laranjeira, A fiabilidade.

Lariço, Audacia.

Lentilhas, Esconderijo.

Lilaz, Primeira commoção de amor.

Lilaz branco, Mocidade.

Limoeiro, Desejo de ser correspondido.

Lingua de vacca, Mentira.

Linho, Saudade.

Lirio branco, Ardor.

    Lirio? filho do sol, soberba flôr,
    Que altivo affrontas o paterno ardor,
    Ao astro alçando a fronte magestosa,
    Rei és das flôres, e rainha é rosa.

Lirio dos valles, Leviandade, indifferença.

Lirio escarlate, Já não posso mais.

Lirio rôxo, Confiança.

Lirio verde, Os meus dias felizes já passaram.

Lisymachia, Pretenção.

Liz, Magestade.

Lodão, Harmonia.

Loios (de jardim), Doçura.

Losna, Amargura, separação, ausencia.

Loureiro, Triumpho, gloria.

    Daphne foi sensivel bella,
    Apollo bello e sensivel,
    Sobre ambos despede amor
    Uma faisca terrivel.

Loureiro amendoa, Perfidia.

Loureiro rosa, Belleza.

Lupulo, Injustiça.

Luzerna, Vida.

Macella, Brandura.

Macieira, Amor.

Madragora, Raridade.

Madresilva, Laços d'amor.

Mal-me-quer, Pena, tormento.

Mal-me-quer sem folhas, Amor occulto.

Mal-me-quer dobrado, Perdeis o tempo.

Mal-me-quer inglez, Cautella.

Mal-me-quer, no peito, Crueis tormentos.

Mal-me-quer, no cabello, Não digo o que sinto.

Mal-me-quer singelo, Tristes lembranças.

    Quantas vezes a pastora
    Longe do joven amante
    Diz comsigo: É-me fiel?
    Voltará elle constante?

Malvaisco rajado, Se souberas!

Malvaisco vermelho, Chamma de amor.

Malvaisco amarello, Quem podésse!

Malvas, Acautela-te.

Malvas cheirosas, Aviso.

Mangericão miudo, Indigencia.

Mangericão largo, Desespero.

Mangericão rôxo, Interprete d'amor.

Mangerona, Sempre feliz.

Mangerona murcha, Adeus que me ausento.

Maracujá, Tomára eu já.

Maravilhas, Brevidade.

Margarida singela, Innocencia.

Margarida dobrada, Estou de accordo com os vossos sentimentos.

Martyrio, Paixão, religião.

Mata-cão, acabaram meus dias felizes.

Meimendro, Defeitos.

Melindres, Melindre.

Meniantho, Calma, tranquillidade.

Mil-folhas, Guerra.

Milho, Multidão.

Mirro, Mortificação.

Mirto, egoismo.

Morangueiro, Presagio.

Morangos, Bondade perfeita.

Morrião, Entrevista amorosa.

Mostarda, Furor.

Murta, Amor, sentimento.

    Sua verdura immortal
    É do universo a belleza,
    Nem murchar-lhe o verde ornato
    Póde do inverno a crueza.

Murtinho, Traição.

Musgo, Amor maternal.

Myrabolano, Privação.

Não-me-deixes branco, Amor constante.

Não-me-deixes côr de rosa, Juramento.

Não-me-deixes rôxo, Ausencia.

Não-me-deixes rajado, Desgosto.

Narciso, Amor proprio, esgoismo.

Nardo, Devoção.

Nogueira, Virtude.

Noz metella, Fingimento.

Olaia, Elegancia.

Oliveira, Paz.

Ononio, Obstaculo.

Ophyrio de tres folhas, Erro.

Orelha de rato. Não te esqueças de mim.

    Das amantes entre as mãos,
    Já do brilho amortecida,
    Recommenda--amor constante,
    Lembrança por toda a vida.

Orelha de urso, Seducção.

Orvalho, Gelam-me vossos fogos.

Palha (uma) inteira, União.

Palha (uma) quebrada, Rompimento.

Palma, Castidade.

Papoila branca, Desconfiança, incerteza.

Papoila côr de rosa, Feliz encontro.

Papoila encarnada, Orgulho.

Papoila rajada, Não divides.

Papoila silvestre, Reconhecimento.

Papoila singela, Supplicio.

Pecegueiro, Guerra.

Pentafilo, Minha querida.

Pereira, Ira.

Perpetua amarella, Constancia eterna.

    Linda florinha amarella,
    Symbolo d'amor eterno;
    Ornas os nossos jardins
    Quer de verão, ou quer d'inverno.

Perpetua branca, Mysterio.

Perpetua roxa, Amor constante.

Pervinca, Dôces recordações.

Pilriteiro, Esperanças.

Pimenta malagueta, Estou ardendo.

Pimentão, Offensa.

Pinheiro, Morte.

Pionia, Vergonha.

Piramide azul, Constancia.

Piteira, Afflicção, pesar.

Platano, Alteza.

Primavera, Desejo d'amar.

Pulsatilla, Não sois pretenciosa.

Rainha-Margarida, Grandeza, esplendor.

Rainunculo, Impaciencia.

Rainunculo asiatico, Sois linda como um anjo.

Raizes, Segredos.

Ramo, Desejo.

Raquel, União.

Relva, Utilidade.

Resedá, Vossas qualidades excedem vossos encantos.

    A não ser teu bello aroma,
    Minha florinha querida,
    Viverias ainda hoje
    No campo desconhecida.

Rilha-boi, Obstaculo.

Romã, Ambição.

Romeira, Fatuidade.

Roquetta, Morro por vós.

Rosa amarella, Infidelidade.

Rosa almiscarada, Belleza caprichosa.

Rosa amelia, Murmuração.

Rosa avelludada, Gentileza.

Rosa branca, Silencio, affeição.

Rosa branca e encarnada, Fogo do coração.

Rosa de cem folhas, Graças e belleza.

Rosa de cheiro, encarnada, Sou assaz feliz.

Rosa dobrada, Esplendor.

Rosa da India, Estimação.

Rosa do Japão, Amor constante.

    Por gosar um só momento.
    Uma ventura tão querida,
    Gostosamente daria
    O resto da minha vida.

Rosa de Jericó, Graças, belleza.

Rosa de musgo, Amor, voluptuosidade.

Rosa das quatro estações, Formosura inalteravel.

    Logo que a hastea começa
    A rosa a desabrochar,
    Zephiro e a borboleta
    Vem em torno esvoaçar.

Rosa de todo o anno, Continua e vencerás.

Rosa de toucar, Sois o meu unico amor.

Rosa (uma folha de), Nunca sou importuno.

Roseira brava, Poesia.

Rosmaninho, Vossa presença me reanima.

Sainfoin ou esparceto, Agitação.

Salgueiro, É inutil.

Salgueirinho, Tristeza, lealdade, lagrimas.

Salsa, Gosto, não desanimes.

Salva, Estima.

Sardonia, Ironia.

Saudade, Saudade.

    Vem repousar no meu peito
    Modesta, engraçada flôr;
    Tu tens de saudade o nome,
    De saudade eu tenho a dôr.

Saudade branca, Sinceridade.

Saudade côr de rosa, Amizade.

Saudade roxa, Melancolia.

Scabiosa, Abandono cruel.

Sempre viva, Hei-de amarte até morrer.

Sene, Duração.

Sensitiva, Pejo, sensibilidade.

Sepa, Bebedice.

Silva, Inveja.

Sisão, Segurança.

Sorveira, Prudencia.

Suspiros, Até quando?

Tamaras, Dá-me um beijo.

Tamarindos, Feliz momento.

Tangerina, Desdem.

Tangerina (folha de), Avia-te antes que venha alguem.

Teixo, Tristeza.

Til, amor conjugal.

Tojo, Solidão.

Tomates, Querer.

Tomilho, Actividade.

Trepadeiras, Pela janella.

Trevo, Andar subtil.

Trigo, Riqueza,

Trovisco, Gloria.

Tubaras, Surpreza.

Tulipa, Declaração d'amor.

Urze, Solidão.

Unha de cavallo, Far-vos-hão justiça.

Valeriana rubra, Facilidade.

Valverde, Declaro-vos guerra.

Verbena, Encanto.

Veronica, Fidelidade.

Videira, Alegria.

Viola branca, Ingenuidade.

Viola roxa-azulada, Modestia.

Violetas, Quero ficar solteira.

    Pura, modesta violeta sim,
    Bella, gentil flôr do prado,
    Sempre estarei a teu lado,
    Sempre estarás junto a mim.

Zimbro, Peccado.



Modo de marcar as horas por meio de plantas


1 hora--Rosas de cem folhas e buxo.

2 horas--Baunilha e buxo.

3 horas--Rosas brancas e buxo.

4 horas--Cravos encarnados e buxo.

5 horas--Resedá e buxo.

6 horas--Cravos rajados e buxo.

7 horas--Dahlias e buxo.

8 horas--Flôr de laranja e buxo:

9 horas--Rosas amarellas e buxo.

10 horas--Mal-me-queres e buxo.

11 horas--Violetas e buxo.

12 horas--Amores perfeitos e buxo.


N. B.--Sendo as horas á noite, o buxo deverá ser substituido por louro.



Emblema das cores


Amarello, Desesperação.

Azul, Elevação d'espirito, pureza de sentimentos, circunspecção.

Azul e amarello, Arrependimento.

Azul claro e branco, Belleza, agrado.

Azul claro, Firmeza, fidelidade.

Azul e encarnado, Masgestade, amor constante.

Branca, Boa fé, candura, pureza, innocencia.

Côr d'azeitona, affabilidade.

Côr de canna, Sinceridade.

Côr de laranja, Ciume, amor offendido.

Côr de pinhão, Indifferença, dissimulação.

Côr de pombo, Modestia.

Côr de rosa, Juventude, amor, ternura.

Carmesi, Poder supremo.

Encarnado, Pejo, amor, desejos.

Preto, Tristeza, luto.

Roxo, paixão d'amor.

Verde, Esperança.

Verde e amarello, Esperança perdida.

Verde monte, Simplicidade.

Vermelho e branco, Brandura, delicadeza.

Vermelho e amarello, Fogo d'amor.

Vermelho e verde, Esperança segura.



Modo de marcar as horas por meio das côres


1 hora--Encarnado e branco.

2 horas--Verde e branco.

3 horas--Côr de laranja e branco.

4 horas--Azul claro e branco.

5 horas--Carmesi e branco.

6 Horas--Côr de castanha e branco.

7 horas--Amarello e branco.

8 horas--Côr de rosa e branco.

9 horas--Roxo e branco.

10 horas--Cinzento e branco.

11 horas--Azul escuro e branco.

12 horas--Encarnado, verde e branco.


N. B.--Sendo as horas á noite, o branco será substituido por preto.



APPENDICE


    Sempre nos traz uma flôr
    Um suave pensamento,
    Uma lembrança de amor,
    Um saudoso sentimento.

    Na que é rainha das flôres,
    Na linda engraçada rosa,
    Vejo eu os meus amores,
    A minha amada formosa.

    São as flôres a expressão
    Do que sentimos no peito;
    Fallam sempre ao coração
    Um idioma perfeito.

    Quantas vezes uma flôr
    Mostra ao amante extremoso
    Receios, ternura, amor
    D'um coração amoroso.

    Muitos segredos revela,
    Encanta muito uma flôr,
    Nada ha que como ella
    Encerre tanto primor.



FINEZAS DAS FLORES


Escolhem-se vinte flôres diversas; com essas vinte flôres podem entrar
quarenta pessoas no mesmo jogo, devendo ser tantos cavalheiros como
senhoras; mas se porém, o numero de pessoas fôr menor ao que apontamos,
igualmente deve ser menor o numero das flôres; pois, que tantas devem
ser ellas, quantos forem os pares que entrarem no jogo.

Podem-se escolher as flôres que mais faceis estejam da acquisição;
porém, apontamos as seguintes:

1 Açucena.

2 Anemone.

3 Amor perfeito.

4 Alfazema.

5 Botão de roza.

6 Cravo Branco.

7 Cravo encarnado.

8 Campainhas.

9 Girasol.

10 Junquilho.

11 Jasmim.

12 Lyrio rôxo.

13 Lyrio branco.

14 Martyrio.

15 Malmequer.

16 Rainunculo.

17 Rosa branca.

18 Rosa encarnada

19 Saudade.

20 Tulipa.

Estas flôres serão lançadas em uma boceta, e em outra boceta se lançará
igual numero de quadrados de papel, numerados de 1 até 20.

Preparados os jogadores, e sentados em roda, virá um menino com uma
boceta onde trará as flôres escolhidas para o jogo, as quaes começará a
distribuir pelas senhoras distinadas a fazer parte no jogo.

Logo, virá uma menina com a outra boceta onde trará quadrados de papel
numerados que distribuirá pelos cavalheiros.

Feita a distribuição, collocar-se-ha sobre uma meza duas urnas, onde se
lançarão em uma as flôres, e em outra, os quadrados de papel, ficando em
memoria dos cavalheiros, o numero que lhe foi dado; e em memoria das
senhoras a flôr que receberam.

Tampam-se as urnas e remexem-se, para que as flôres se envolvam umas
entre as outras, bem como os quadrados de papel; em seguida destapam-se
as urnas e os mesmos dous innocentes começam a extracção, tirando a
menina, as flôres, e o menino, os quadros de papel; as flôres são
entregues aos cavalheiros, e os quadrados de papel são entregues ás
senhoras.

Na occasião em que se tira uma flôr, tira-se tambem um quadrado de papel
que se entregará á dama a quem pertencia a flôr sahida, e a flôr
entregar-se-ha ao cavalheiro a quem pertencia o quadrado de papel,
tomando estes immediatamente assento em duas cadeiras unidas, onde se
devem conservar até ao fim da extracção, que será igual para todos.

Finda a extracção, os cavalheiros procurarão offertar uma fineza á
senhora a quem pertencia a flôr que receberam, escrevendo-lhe essa
fineza no quadro de papel, ficando d'este modo mimoseados durante todo o
tempo os circumstantes de qualquer reunião; os cavalheiros com uma
flôr e as senhoras com uma fineza.

Para não ser tão difficil aos cavalheiros offertarem a fineza ás
senhoras, apresentamos as seguintes que, segundo a flôr que cada um
tenha em seu poder, assim deverá procurar a fineza.

    Quadro de finezas do jogo das flôres


        Açucena

    O teu amor tão puro e firme seja,
    Que eu de gozal-o sirva aos mais de inveja.


        Anemone

    Assim como é duravel uma estrella,
    Assim terei amor comtigo, oh bella!


        Amor perfeito

    Propicia flôr, do fado alto conceito,
    É geral dentro d'alma amor perfeito.


        Alfazema do norte

    Gravarei em meu peito agudo ferro,
    Se de amor tu não dás commigo um berro.


        Botão de rosa

    Seja um botão fechado e bem unido,
    O amor que te dedico no sentido.


        Cravo branco

    O sol não allumie mais meus passos,
    Se eu constante não fôr a dar-te abraços.


        Cravo encarnado

    Ditosa condição, ditosa fama,
    Se tu chegas a ser a minha dama.


        Campainha

    Tocando andava sempre a campainha,
    Para ver se encontrava essa carinha.


        Girasol

    Gira o sol entre as flôres, dá-lhes vida;
    Tu giras em minha alma em grande lida.


        Junquilho

    Posto que a qualquer dama eu seja terno,
    Se a ti eu fôr falso, me trague o inferno.


        Jasmim

    Inda é mais que o jasmim teu niveo rosto,
    Tu tens da perfeição o melhor gosto.


        Lyrio branco

    Libarei com louvor ao deus vendado,
    De repetir commigo o teu agrado.


        Lyrio rôxo

    Se o coração podesse aqui mostra-te,
    Melhor prenda não tinha que offertar-te.


        Martyrio

    Reparar para ti, ver teu aspecto,
    É de amor abysmar-se em terno affecto.


        Malmequer

    Malmequer, eu supponho, oh! céus ouvir-te...
    Juro, porem, de não saber trahir-te.


        Rainunculo

    Cantarei por tal dita, taes louvores,
    Que as expressões serão sómente amores.


        Rosa branca

    Tu és tão linda, tão formosa e bella,
    Que do meu coração já tens tutela.


        Rosa rubra

    É lei obedecer-te, a sorte manda,
    Cede a meus rogos, teu rigor abranda.


        Saudade

    Respirem nossos peitos amisade,
    E não sintam jámais cruel saudade.


        Tulipa

    Em frenesi, em odio eu sempre exista,
    Quando tente occultar-me á tua vista.


    LOTERIA DAS FLORES
    OU
    NOVO DIVERTIMENTO PARA SENHORAS

N'este jogo deve entrar sempre numero par, não devendo exceder nunca o
numero de 10 pessoas.

Haverá um baralho de 40 cartas, e igualmente haverá 40 cartões, cada um
com seu dizer; sendo 20 cartões com os dizeres seguintes:

    _Martyrios_
    TORMENTOS
    Az de Espadas.

    _Cravos_
    RECREIOS
    Az de Paus

    _Amor perfeito_
    ZÊLOS
    Dous de Espadas

    _Racheis_
    SOFFRIMENTO
    Dous de Paus

    _Angelicas_
    GLORIAS
    Tres de Espadas

    _Junquilhos_
    IMPACIENCIAS
    Tres de Paus

    _Perpetuas_
    DESESPERAÇÃO
    Quatro de Espadas

    _Narcizos_
    DESFARCES
    Quatro de Paus

    _Não me deixes_
    PAIXÕES
    Cinco de Espadas

    _Melindres_
    VARIEDADES
    Cinco de Paus

    _Giestas_
    LEMBRANÇAS
    Seis de Espadas

    _Jasmins_
    PERIGOS
    Seis de Paus

    _Goivos_
    PENSAMENTOS
    Sete de Espadas

    _Violetas_
    FINEZAS
    Sete de Paus

    _Lyrios_
    VERDADE
    Dama de Espadas

    _Açucenas_
    PUREZA
    Dama de Paus

    _Jacinthos_
    SABEDORIA
    Valete de Espadas

    _Rosas_
    VINGANÇA
    Valete de Paus

    _Malmequeres_
    DESASSOCEGO
    Rei de Espadas

    _Chagas_
    PACIENCIA
    Rei de Paus

Os outros vinte cartões devem ser pelo theor seguinte:

    DESESPERAÇÃO
    _Perpetuas_
    Az de Copas

    IMPACIENCIAS
    _Junquilhos_
    Az de Ouros

    GLORIAS
    _Angelicas_
    Dous de Copas

    SOFFRIMENTO
    _Racheis_
    Dous de Ouros

    PENSAMENTOS
    _Goivos_
    Tres de Copas

    ZÊLOS
    _Amores perfeitos_
    Tres de Ouros

    VINGANÇA
    _Rozas_
    Quatro de Copas

    PUREZA
    _Açucenas_
    Quatro de Ouros

    DISFARCES
    _Narcisos_
    Cinco de Copas

    RECEIOS
    _Cravos_
    Cinco de Ouros

    PAIXÕES
    _Não-me-deixes_
    Seis de Copas

    FINEZAS
    _Violetas_
    Seis de Ouros

    DESASSOCEGO
    _Malmequeres_
    Sete de Copas

    VARIEDADES
    _Melindres_
    Sete de Ouros

    LEMBRANÇAS
    _Giestas_
    Dama de Copas

    SABEDORIA
    _Jacinthos_
    Dama de Ouros

    PACIENCIA
    _Chagas_
    Valete de Copas

    PERIGOS
    _Jasmins_
    Valete de Ouros

    VERDADES
    _Lyrios_
    Rei de copas

    TORMENTOS
    _Martyrios_
    Rei de Ouros


MARCHA DO JOGO

A este jogo póde-se estabelecer o preço que cada um quizer, por cada
pinta que tiver cada carta.

Sorteiam-se com o baralho os parceiros, e aquelle onde fôr o rei de
ouros, é quem deve distribuir as cartas, as quaes, depois de
baralhadas novamente, serão distribuidas duas a duas, até se repartirem
todas pelos parceiros, e por quem as dá. Os bilhetes ou cartões, devem
estar no meio da meza baralhados e com as letras para baixo.

Feito isto, o que fôr mão tirará um bilhete ou cartão, e pedirá a carta
que elle em baixo accusar; e quem a tiver a entregará, mettendo logo no
cofre tantos tentos, ou dinheiro, quantas forem as pintas da carta que
entregou, e aquelle que a receber, collocal-a-ha ao pé de si, sem a
misturar com as que tem na mão, e do mesmo modo procederá com os cartões
que tirar.

Tirado do monte o primeiro cartão ou bilhete, logo o parceiro immediato
deve tirar o segundo, fazendo o mesmo que fez o que foi mão; e o mesmo
farão os outros parceiros; correndo este gyro até ficar alguem sem carta
alguma, e o primeiro que ficar sem ella, fica sendo provedor ou
provedora; chamará para junto de si o cofre do fundo da loteria,
continuando o mesmo gyro, até se extinguirem do monte todos os bilhetes
ou cartões, e o mesmo provedor continuará a tirar bilhete como os outros
jogadores.

Advirta-se, porém, que as figuras não pagam nada, a quem tiver na mão a
carta que pede, igualmente nada paga; apenas colloca ao pé de si as
cartas e cartões que fôr tirando.

Extinctos os bilhetes do monte, o provedor ou provedora, tirará para si
dez por cento de toda a loteria, e fará da metade do que ficar o premio
grande, dividindo a outra metade em dois premios iguaes ou desigual.

Isto feito, arrumam-se, as cartas, porque já não são precisas para o
jogo.

Agora cada parceiro pega nos cartões, que tiver junto de si, e para
fazer andar a roda, diz o provedor, lendo um dos seus bilhetes, por
exemplo:

_Saudades, lagrimas._ Aquelle que tiver outro cartão que diga _Lagrimas,
saudades_, entrega-o logo, continuando o provedor a pedir os cartões,
emquanto elle tiver algum que principie pelo nome de flôr, recebendo dos
outros os cartões que tenham em cima a significação da flôr que elle
pede, e que pode succeder tel-o elle mesmo.

Logo que o provedor não tenha cartão algum, cuja primeira palavra seja o
nome da flôr, segue-se o seu immediato a pedir pela fórma que fica
explicado; e acabando este, seguem-se os mais, de fórma que o primeiro
que ficar sem bilhete algum nas mãos, é quem recebe o premio grande: o
segundo a quem succeder o mesmo, recebe o segundo premio, e o terceiro
que ficar tambem sem bilhete, recebe o terceiro e ultimo premio.



ORACULO DAS FLORES


Escolhem-se varias flôres e a cada uma se lhe dá uma significação; v. g.

    Rosa branca             Amor occulto.
    Cravo                   Amor fiel.
    Liz                     Amor virtuoso.
    Mirto                   Amor capaz de sacrificios.
    Jasmim                  Amor sensivel.
    Violeta                 Amor calado.
    Madre-silva             Amor inconstante.
    Reseda                  Amor interessado.
    Balsamina               Amor ambicioso.
    Mangericão              Amor vicioso.
    Campainha               Amor meditado.
    Amarantho               Amor puro.
    Jacintho                Amor delirante.
    Rainunculo              Amor leviano.
    Flôr de larangeira      Amor faceiro.
    Gyrasol                 Amor indeciso.
    Serpão                  Amor audaz.
    Junquilho               Amor cobarde.
    Malmequer               Amor queixoso.
    Perpetua                Amor alegre.
    Papoula                 Amor submisso.
    Malva                   Amor avaro.
    Lirio                   Amor orgulhoso.
    Roza encarnada          Amor fogoso
    Alecrim                 Amor ciumento

Logo virá uma pessoa estranha ao que se procede, e se lhe mandará
escolher uma flôr de entre aquellas que estiverem apartadas, e a
significação da flôr que fôr escolhida, é fiel revelação do oraculo das
flôres; podendo a pessoa interessada ficar certa de que o seu
prognostico foi verdadeiro, se acaso não lhe falhar.

Do mesmo modo se póde adivinhar o estado do futuro esposo ou esposa,
imaginando-se v. g. debaixo de um

    Alecrim         Um artista          Uma modista.
    Rosa            Um negociante       Uma florista.
    Jasmim          Um escrevente       Uma actriz.
    Cravo           Um bacharel         Uma viuva rica.
    Violetas        Um professor        Uma professora.
    Joios           Um musico           Uma cantora.
    Jacintho        Um poeta            Uma litterata.
    Balsamina       Um militar          Uma criada.
    Perpetua        Um fidalgo          Dama nobre.
    Malva           Um medico           Uma parteira.
    Madre-silva     Um lavrador         Uma camponeza

Manda-se escolher uma d'estas flôres á pessoa que não esteja elucidada
do que se trata, e logo se saberá qual o estado do futuro consorte, da
pessoa que se interessa em sabel-o, salvo se houver qualquer engano.



A LOTERIA DE AMOR


Tenha-se um saquinho no qual haja tantos bilhetes quantos forem os
jogadores, uns brancos e outros que digam:--«Vale um favor; ou
differentes favores. Vale uma confidencia ou tres varas de amor. Eu que
subscrevo confesso dever uma canção; uma, duas ou mais prendas. Vale
para porteiro, peregrino, mendigo, navegante. Vale um beijo em cada
jogador, vale um sacrificio, vale um elogio, vale uma dadiva aos
jogadores, vale um recitativo, vale aperto de mão, vale sete pinchos ao
ar, vale um ditinho engraçado, vale uma declaração amorosa, vale uma
conquista, etc.»

Uma pessoa de sociedade, administrando o jogo, toma o sacco em que estão
os bilhetes enrolados, mexe-os e apresenta-os á pessoa que estiver á sua
direita; esta mette a mão no saquinho, tira um bilhete, desenrola-o e
declara em voz alta o que lhe indica o papel que tirou. O dono da
administração faz gyrar o saquinho até ao ultimo jogador do circulo, e
cada um é obrigado a fazer o que lhe ditar o bilhete que tiver
tirado, menos os que tiverem a sorte de tiral-o branco, os quaes não
farão nada.

Quando a loteria de amor fôr dupla ou tripla, isto é, quando haja uma ou
duas vezes, mais bilhetes que jogadores, tire-se uma ou duas vezes antes
que se ponha em execução os sacrificios que cada qual tenha a fazer;
pois acontece que, para muitas pessoas, a segunda extracção annulla a
primeira. Com effeito, um bilhete em branco, tirado na segunda sorte,
isenta o obedecer á primeira; e assim este ultimo modo de verificar o
jogo, torna-o divertidissimo.



MORREU A MINHA POMBINHA

    Pombinha, morrestes!
    Oh! meu portador!
    Que os ternos recados
    Levavas a meu amor.

    Do pombal que tanto amava
    Uma pombinha eu tirei,
    E logo em breve tempo
    A pomba domesticei.

    Que carinhos lhe fazia!
    E beijinhos que eu lhe dava
    Quando seu tenro corpinho
    Junto a mim repousava!

    Querendo experimentar
    Esta singela avesinha,
    Lancei-lhe ao collosinho
    Muito pequena cartinha.

       Esperei que ao longe
       Visse a companheira,
       Que a conduzisse
       Em esta carreira.

       Já solto girava
       O ente voador,
       Eis que dirigir-se
       Vejo vae ao amor.

    Qual soldado que no posto
    Observa com cuidado,
    Assim eu observava
    Se levava o meu recado.

    De repente eis que assoma
    E retorna mui ligeira
    A cortar veloz os ares
    Esta alada mensageira.

    Que goso, ah! eu não tive
    Ao ver-lhe no pescocinho,
    D'esta alada portadora
    Pendente novo escriptinho!

    Beijei-o, li-o e reli-o
    Esses caracteres amados,
    Que vieram dissipar
    Os meus pungentes cuidados.

    Porém não tardou a mudança
    D'este meu contentamento.
    Que passou em continente
    Para o maior soffrimento.

    O caso é: N'um telhado
    Á mira e de embuscada,
    Um furioso bichano
    Pilhou a pomba estimada.

    Para seu amo a levou,
    Sem falta; com evidencia.
    Elle veio a conhecer
    A minha correspondencia.

    Guardou da acção o segredo,
    Posto não ser homem bom,
    Pois que foi procurador
    E hoje é escrivão.

    Que a caçar passarolas
    Elle tinha ensinado,
    Linguinhas más annunciam
    Que ao gato no seu telhado.

    O caso seja qual fôr,
    Remedio elle não tem.
    A pombinha que levava
    Minhas noticias tão bem.

    Ó menina só terás
    Em o meu peito morada,
    Que, servindo-te d'abrigo,
    Em elle estarás guardada.

    Quando triste te não vejo,
    Existencia amargurada,
    Passo eu; sem companhia
    O meu coração é nada.

    A florinha que me déstes
    Em meu peito deu entrada,
    Nunca vi coisa mais linda,
    Mais perfeita e delicada.

    Adeus, amorzinho meu
    De mim que és tão amada,
    Não te esqueças de fallar-me
    Cedinho, de madrugada.



AVISO AOS LAVRADORES E JARDINEIROS


Janeiro

Concerta os instrumentos da lavoura, salga porcos e faze estacas para as
vinhas. Esterca as arvores que estiverem debeis, e enxerta as temporãs.
Lavra as terras leves, corta as madeiras para as latadas, cava a terra
em redor dos medronheiros, cobre as hastes das flôres que não querem
frio, e abriga das chuvas fortes as anémonas e plantas novas semeadas em
caixões. Semeia centeio, trigo e legumes. Enxerta arvores de espinho.
Planta cebolo, e alface para temporão. Mette estacas de roseiras,
craveiros e alfazema.

Semeia mostarda em terras calidas, centeio, cevada, favas, ervilhas,
alhos, meimendro, plantas medicinaes, batatas, e grãos de bico; planta
hortaliças, romeiras; dispõe morangos; mette na terra estacas de
arvores, que rebentam cedo; mergulha vides; póda; limpa colmeias;
prepara terras para plantas de bacello; limpa os pomares; lavra as
terras para as sementeiras de março; e corta madeira, canas e vimes.


Fevereiro

Se o permittir a temperatura, semeia pepinos, aipo, salsa, couves, e
acelga, e em taboleiros quentes semeia rábanos e cenouras. Transplanta
arvores, e se não fizer muito frio, póda as que foram transplantadas
no outono. Esterca os prados, semeia aveia, lentilhas e cánhamo.
Limpa o pombal e os cortiços, e compra avelhas. Semeia couves de Saboia,
couve vermelha, espinafres, chicorea. Em terra movel e quente pódes
semear tres semanas mais cedo do que em terras frias e humidas. Mais
vale demorar as sementeiras até abril do que semear debalde.--Enxerta as
arvores de caroço e pevide. Transplanta alecrim, buxo e alfazema, e
semeia em abrigos, geranios, e amarantos.

Semeia espinafres, bredos, repolho, pimpinella, couve murciana,
cominhos, morangos, rabanos, chicorea, acelgas, alface allemã, caroços
de pecegos, damascos, alperches, e cyprestes; planta bacello, estacas de
oliveira, romeiras, e figueiras; transplanta laranjeiras, amoreiras, e
cidreiras; póda vinhas em terras humidas, e mergulha vides.


Março

Se os frios passarem e a terra estiver secca, cuida da terra do teu
jardim. Semeia salsa e aipo, couves temporãs, rábanos, couve-flôr para
poder transplantar no principio de maio. Planta ervilhas temporãs em
regos feitos ao cordel; semeia todas as qualidades de raizes e legumes
em terra cheia; acelgas, cenouras, azedas, nabos da primavera, rábanos e
espinafres. Mas se cair neve é preciso reservar estes trabalhos para o
fim do mez. Limpa arvores e cava a terra em redor d'ellas antes que
lancem flôr. N'este mez deve acabar a póda das arvores, excepto das
macieiras que póde ser até ao fim de abril. O florista deve semear
cravos, amarantos, cobrir as tulipas para não apanharem o orvalho da
noite, e tornar a plantar no meio do mez as violetas de março,
jacinthos, tuberosas e margaridas. Semeia papoulas, girasóes e goivos.
Planta álamos, semeia feijão carrapato, alface, painço, alpiste,
trevo, luzerna, beterraba e esparceto.

Semeia linho canhamo, feijão carrapato, milho, abobora, pevides de
melão, melancia, pepinos, aipo, salsa, lentilhas, malaguetas, tomates,
açafrôa, beldroegas, milho painço e alpiste; planta hortaliça, alamos, e
outros arbustos; transplanta vimes; enxerta arvores que rebentam tarde;
escava as vinhas; monda os trigos; e trasfega os vinhos em dia claro.


Abril

Semeia repolhos, alcachofras, cebolas de inverno, aboboras, feijão, grão
de bico, batatas, melão e feijão de trepar, pepinos e cabaças. Continua
a semear salsa, alface e toda a qualidade de hortaliças. Torna a plantar
cenouras e couve-flôr para semente. Rega as arvores plantadas de novo.
Sacha os viveiros, descasca os sobreiros e carvalhos. Transplanta
alecrim, alfazema, cominho, morangos. Dispõe valverdes e mangericões.
Tosquia ovelhas, trasfega os vinhos e cresta colmeias. Rega de manhã
depois de nascer o sol.

Semeia melões e melancias, até ao quarto crescente, pevides de cabaça,
pepinos, alface, milho, feijão, aipo, azedas, bredos, e alcaparras;
planta amoreiras, e arvores que não abrolham; enxerta de escudo; tosquia
os gados lanigeros; cresta colmeias, e vigia-lhe os bichos.


Maio

Lavra as terras de alqueive, castra os bezerros, tosquia ovelhas. No
principio do mez planta feijões de côr e couve-flôr, nabos, alface,
aipo, ervilhas, favas, alcachofras, melancias e melões. Semeia chicorea
que ha-de ser boa no fim de julho, se for bem regada durante todo o mez.
Semeia milho e feijão nas terras humidas. Enxerta as arvores de
espinho e tira as folhas seccas ou doentes. Livra as pereiras dos gomos
inuteis. Planta tomateiros. Semeia diversos grãos de plantas para teres
flôres no estio. Transplanta as tulipas temporãs, mergulha os goivos
amarellos, semeia cravos para os teres dobrados nos 5, 6 e 7 da lua. Do
meio d'este mez até setembro convém regar de tarde. Sacha o viveiro das
plantas que has-de transplantar. Cobre a terra de redor das arvores
novas com folhas seccas para conservar humidade. Tosquia a murta e buxo.

Semeia melões e melancias, que já não é cedo, salsa, coentro,
pimpinella, azedas, pevides de beringella, feijão em terras humidas,
milho, e melões de cheiro; planta hortaliças, segurelha, hortelã,
tomateiros, malaguetas, cyprestes, e sobreiros; monda os trigos; limpa
as vinhas do pulgão; apanha os linhos maduros; capa os pepinos; cava as
vinhas, e semeia-lhe mostarda e milho; enxerta as arvores de espinho,
capa os melões e melancias, que é tempo; tosquia as ovelhas, e atesta os
vinhos.


Junho

Ata as vinhas a tira-lhes os gomos inuteis. Dá a segunda lavra ás terras
de alqueive, limpa os cortiços, sega os prados, estende o feno para
seccar. Semeia milho nas terras regadias. Sacha a horta depois da chuva,
se a houver, e antes que tenham florido as hervas más. Ceifa a aveia e a
cevada. Apanha as fructas temporãs, põe estacas ao feijão de trepar,
semeia brocolos e ata os tomateiros. Continua a semear chicorea para a
teres no fim do verão. Recolhe os grãos de cerefolio, favas, espinafres,
rábanos, ervilhas e de outros legumes que estiverem seccos. Descobre as
cebolas, limpa as arvores e plantas das lagartas, remexe a terra de
redor das arvores e cobre-a de folhas seccas. Enxerta de escudo os
fructos de caroço, e os jasmins, laranjeiras e roseiras, escolhendo para
isto um tempo encoberto. Guarda as sementes das flôres da primavera.
Semeia couves, borragens, beldroegas, espinafres, e favas de regadio;
semeia nas terras serodias; enxerta de escudo as arvores de casca
grossa; sacha os milhos, e ceifa o feno; recolhe alhos, cebolas, favas,
e todos os legumes, que estiverem seccos, as plantas medicinaes, assim
como tambem as frutas; enresta os alhos para guardar; tira a cêra dos
cortiços; castra os carneiros, que é bom signo: tosquia as ovelhas, e
tem cuidado no terraço das eiras.


Julho

É o tempo de vender e comprar gado nas feiras e de limpar as granjas
para ceifar. Não poupes a rega. Lavra as terras de trigo, em quanto
tiverem alguma humidade. Arranca as hervas más dos canteiros, e banha o
gado. Apanha as cebolas, planta feijões para o outono, e couves para o
fim do outono e principio do inverno. Semeia alface, acelga e cebolo
para o mesmo tempo, e chicorea para o inverno. Levanta as plantas
bolbosas para as transplantar logo. Castra carneiros.

Semeia espinafres, bredos, e mostarda; recolhe cevada, cebola de
regadio, amendoas, avellãs, e sementes maduras de hortaliças; principia
a ceifa; amassa a rama ás cenouras, rega os pomares, e limpa-os das
folhas seccas; arranca a grama; rega os pimentões, tomateiros, e meloaes
que não são de vargem; prepara e areja os ceifeiros para recolher as
novidades; queima as raizes nocivas, e recolhe os trigos que estiverem
promptos.


Agosto

Carreia o esterco para as terras, arranca o linho, queima os espinhos e
hervas más das terras de hervagem, e bate o centeio para a sementeira.
Logo que colhas as novidades lavra as terras. Livra as uvas do sol e
colhe as cenouras e batatas. Prepara os buracos para as arvores que
has-de plantar, e recolhe folhas de arvores para o gado. Semeia rábanos
para o outono, cerefolio para o inverno, e espinafres que é preciso
regar a miudo. Planta chicoreas a palmo e meio umas das outras. Nos
jardins planta as anémonas singelas para teres flôres no outono e
inverno. No fim do mez mette na terra os jacinthos, anémonas,
rainunculos e junquilhos. Tira a cêra dos cortiços.

Semeia tremoços, rábanos, cenouras, arruda, rosmaninho, cebola para
semente, nabo, nabiça em terras de regadio, cevada, e aveia; planta
couve tardia; apanha macella; recolhe o resto das searas; limpa a cevada
para melhor se conservar; recolhe amendoas e avellãs; arranca as hervas
nocivas; espreita as colmeias; prepara vasilhas, e estruma as terras.


Setembro

N'este mez semeia centeio, lavra os alqueives, recolhe o milho e estruma
as terras. Semeia em terras quentes cevada e aveia, e recolhe feijão e
legumes. Cresta as colmeias. Compra porcos para cevar. Continua a semear
espinafres, salsa, cebola, chicorea, cenouras, favas e nabos. Durante
este mez deixa de regar de tarde, começa a regar pela manhã. Colhe os
fructos maduros, mas que não estejam molhados. Enxerta arvores de caroço
e planta as de espinho. Semeia caroços de damascos e pecegos, e linho
cánhamo. Semeia rainunculos, lirios tupilas, papoulas e outras
plantas annuaes. Alporca craveiros e planta raizes temporãs.

Semeia favas, nas primeiras aguas, trigo nos altos, cevada e centeio em
terras quentes; semeia nabos, tremoços, dormideiras, linho cánhamo,
oregãos, arruda, e trevo; planta cidreiras, limoeiros, e arvores de
espinho: enxerta as ditas arvores; cresta colmeias; apanha nozes,
amendoas e avellãs; recolhe mostarda, milho, legumes, e faz passas de
uvas; vindima a tempo, e depois lavra as terras.


Outubro

Semeia tremoços, ervilhas trepadeiras, favas, cevada, nabos, cenouras,
espinafres para maio, e o ultimo cerefolio para nascer antes das geadas
fortes. No fim do mez semeia alface para janeiro. Vindima em tempo bom.
A uva doente deve ser lavada n'uma tina, e depois limpa-se cacho a cacho
com uma brocha macia, e estende-se por algum tempo antes de se lançar no
lagar. Transplanta as arvores novas, depois de cahidas as folhas, para
covas feitas algumas semanas antes. Planta amendoeiras e avelleiras e
enxerta arvores de espinho. No meio do mez planta as cebolas de tulipas
e outras, e ajunta para estrume as folhas que vão cahindo das arvores.

Semeia trigo, cevada, nabos, rábanos, rabanetes, cenouras, tremoços,
chicharos, grãos de bico, favas, salsa, coentro, aipo, pimpinella,
ervilhas genovezas, e cebolo; planta nogueiras, avelleiras, amendoeiras
e cidreiras; recolhe mél e cêra; apanha castanhas; abre covas para
metter arvores de sombra, e lavra o resto das terras. N'este mez são
muito bons os taralhões e os labercos.


Novembro

Cuida nas provisões para forragens do gado. Planta e mergulha vides,
corta salgueiros e poda as arvores. Apanha a azeitona á mão, e poda e
limpa as oliveiras. Prepara e carreia o esterco secco para o espalhar
promptamente sobre os legumes que precisarem d'elle. Planta serpentina
menor, azedas e espargo. Planta roseiras, lilazes e outros arbustos que
o frio não prejudica. Corta vimes. Planta amoreiras, castanheiros,
loureiros, carvalhos e cyprestes. Mette castanhas era arêa para se
conservarem verdes.

Semeia herva dôce, ervilha anã, acelgas, espinafres, couves, alfaces,
repolhos, brocolos, e favas; planta carvalhos, castanheiros, oliveiras,
couve, alface, chicorea, repolho, hortelã, e segurelha; corta no
minguante as madeiras que estiverem sazonadas, canas, vimes, e
salgueiros; e prepara a salgadeira para a sardinha.


Dezembro

Estruma as terras e aduba-as com marga. Sacha as hortas em tempo secco.
Semeia favas e trigo, rega as laranjeiras antes de nascer o sol, e
semeia pinheiros. Planta choupos, azinheiros, castanheiros e carvalhos,
e abre as covas para plantar arvores na primavera. Mata e salga os porcos.

Semeia pinheiros, castanheiros, azinheiros, caroços de pecegos,
alcachofras, espinafres, bredos, aipo, pimpinella, semente de couve,
alface, rábanos, rabanetes, nabos e grãos; planta choupos, sobreiros, e
sabugueiros, antes que rebentem; enxerta de espinho as arvores do cedo;
dá descanço ás terras, e prepara a salgadeira para o toucinho.


FIM DA QUARTA PARTE





*** End of this Doctrine Publishing Corporation Digital Book "O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (4/7) - Parte Quarta: O oraculo das Flores" ***

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